InfoArmas | O Maior portal sobre armas da América Latina Com o maior grupo de especialistas no assunto com temas que vão desde a prática esportiva, legislação e cultura, até Treinamento e análise. 2026-08-11T13:25:42Z https://infoarmas.com.br/feed/atom/ WordPress https://infoarmas.com.br/wp-content/uploads/2020/01/79441508_137301084373506_5980951073047707648_n.png Jorge H. Ohf https://infoarmas.com.br <![CDATA[Muito além da IA: COP International reúne lançamentos inéditos, autoridades internacionais e as tecnologias que estão redesenhando a segurança pública]]> https://infoarmas.com.br/?p=13264 2026-08-11T13:25:42Z 2026-08-11T13:25:40Z Maior edição da história do COP International reunirá mais de 20 mil participantes, mais de 80 expositores de oito países, autoridades brasileiras e internacionais, demonstrações operacionais, lançamentos inéditos e uma programação dedicada às transformações provocadas pela inteligência artificial, automação, defesa, resgate, drones, comunicações críticas e inovação tecnológica aplicada à proteção da sociedade

São Paulo será, entre os dias 11 e 13 de agosto, o principal ponto de encontro latino-americano para quem pesquisa, desenvolve, decide e atua diretamente na segurança pública, defesa, inteligência e tecnologia. Em sua sexta edição, o COP International consolida um movimento que vem transformando o setor nos últimos anos: a incorporação acelerada da inteligência artificial, da automação, da conectividade e da análise de dados às operações de segurança, modificando desde o planejamento estratégico até a atuação das equipes em campo. A expectativa é reunir mais de 20 mil participantes, entre representantes das forças de segurança, órgãos governamentais, indústria, especialistas e pesquisadores, em uma área de exposição ampliada para 14 mil metros quadrados, completamente comercializada e ocupada por mais de 80 expositores de oito países.

“Mais do que acompanhar a evolução tecnológica, o COP International passa a refletir uma nova realidade operacional. Soluções antes apresentadas de forma isolada agora aparecem conectadas em ecossistemas capazes de integrar comunicações críticas, inteligência artificial, sensores, drones, câmeras corporais, reconhecimento automático de placas, plataformas de comando e controle, equipamentos de proteção, veículos inteligentes e tecnologias de resgate”, João Sansone, presidente Executivo do COP International. Essa convergência, segundo Sansone, demonstra como diferentes ferramentas passam a atuar de forma complementar para ampliar a consciência situacional, acelerar a tomada de decisão e aumentar a eficiência das operações. 

A edição de 2026 também marca um importante amadurecimento do evento com o lançamento do DTech, congresso proprietário dedicado exclusivamente às tecnologias aplicadas à segurança pública, defesa e gestão governamental. Embora a inovação sempre tenha feito parte da programação do evento, o avanço da Inteligência Artificial e das plataformas digitais elevou definitivamente o tema ao centro dos debates. A nova trilha amplia as discussões sobre cidades inteligentes, cibersegurança, interoperabilidade, plataformas de comando e controle, produção de inteligência e transformação digital das corporações, reunindo especialistas responsáveis pelo desenvolvimento das soluções que vêm redefinindo a atuação das forças de segurança no Brasil e no exterior.

Ao longo dos três dias, a programação reunirá mais de 40 palestrantes nacionais e internacionais, além de comandantes das forças de segurança, representantes dos governos federal e estaduais, pesquisadores e especialistas responsáveis pela formulação e execução de políticas públicas. Paralelamente, empresas nacionais e internacionais apresentarão lançamentos que ilustram, na prática, como inovação e tecnologia já estão sendo incorporadas ao cotidiano das corporações, permitindo aos visitantes conhecer equipamentos, plataformas e sistemas desenvolvidos para tornar as operações mais rápidas, inteligentes, seguras e integradas.

O COP International também se consolida como uma das principais plataformas latino-americanas de relacionamento institucional e geração de negócios. Além da presença de delegações do Ministério da Defesa, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Fundo Nacional de Segurança Pública, Secretarias Estaduais de Segurança Pública, Polícias Militares, Polícias Civis, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Guardas Municipais e órgãos de inteligência, o evento promove um ambiente único de aproximação entre indústria, gestores públicos e tomadores de decisão, favorecendo a disseminação de boas práticas, o desenvolvimento de novas soluções e a modernização das instituições responsáveis pela proteção da sociedade.

“A edição de 2026 evidencia uma transformação estrutural: a tecnologia deixa de ser apenas um recurso de apoio para tornar-se elemento central das estratégias de segurança pública e defesa. Essa mudança poderá ser observada tanto na programação técnica quanto nos lançamentos apresentados pelos expositores, que refletem as principais tendências mundiais em inteligência artificial, comunicações críticas, veículos especiais, drones, resgate, proteção individual, sustentabilidade e economia circular”, explica Sansone.

Evento reúne quem decide o presente e o futuro da segurança pública

A transformação da segurança pública não depende apenas de novas tecnologias. Ela exige políticas públicas, integração entre instituições, modernização da gestão, investimento contínuo e troca permanente de experiências entre profissionais que enfrentam, diariamente, os desafios da proteção da sociedade. É justamente esse ambiente que o COP International busca consolidar ao reunir, em um mesmo espaço, autoridades nacionais e internacionais, gestores públicos, especialistas, pesquisadores e representantes da indústria para discutir os caminhos da segurança pública e da defesa nos próximos anos.

Ao longo dos três dias de programação, mais de 40 palestrantes vão participar de congressos, painéis e mesas de debate dedicados às principais transformações do setor. Os conteúdos abordarão desde o uso estratégico da inteligência artificial e da automação até temas relacionados à liderança, interoperabilidade, produção de inteligência, gestão pública, modernização das corporações e integração entre diferentes órgãos de segurança. A proposta é combinar visão estratégica, experiências práticas e estudos de caso apresentados por profissionais que atuam diretamente na formulação de políticas públicas e na condução de operações de alta complexidade.

Entre os nomes confirmados está David Rausch, presidente da International Association of Chiefs of Police (IACP), considerada a maior associação de lideranças policiais do mundo. Sua participação aproxima o COP International das discussões internacionais sobre gestão policial, inovação tecnológica, cooperação entre agências e modernização das instituições responsáveis pela segurança pública. A presença de uma das principais lideranças mundiais do setor reforça o posicionamento da feira como espaço de intercâmbio entre experiências brasileiras e internacionais.

A programação também contará com Camila Pintarelli, diretora de Gestão do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), que participa dos debates relacionados ao financiamento de políticas públicas e aos investimentos destinados à modernização das forças de segurança. Sua presença amplia as discussões sobre planejamento, priorização de recursos e fortalecimento das capacidades institucionais dos estados brasileiros.

Outro destaque será a participação do Dr. Anchieta Nery, diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). Sua atuação está diretamente relacionada ao desenvolvimento de estratégias de integração entre diferentes órgãos de segurança, produção de inteligência e coordenação de operações, temas que ganham importância diante do avanço das tecnologias de análise de dados e da necessidade de compartilhamento de informações em tempo real.

Representando os gestores estaduais, o COP International receberá o Dr. Jean Nunes, secretário de Segurança Pública da Paraíba e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (CONSESP), que contribuirá para os debates sobre gestão, políticas públicas e os desafios enfrentados pelas secretarias estaduais na incorporação de novas tecnologias às atividades operacionais.

A programação também inclui o coronel Renato dos Anjos Garnes, comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares (CNCG). Sua participação amplia as discussões sobre gestão das corporações, liderança, inovação operacional e integração entre as Polícias Militares brasileiras, aproximando os debates estratégicos da realidade enfrentada pelas equipes que atuam diariamente na linha de frente da segurança pública.

“A programação do COP International foi concebida para promover o diálogo entre quem desenvolve tecnologia, quem formula políticas públicas e quem executa as operações. Essa integração se reflete em uma agenda construída a partir da experiência prática das corporações, permitindo que os participantes tenham acesso a casos reais, boas práticas, estratégias de gestão e experiências nacionais e internacionais relacionadas à segurança pública, defesa, inteligência e inovação”, destaca Sansone.

DTech estreia como novo congresso dedicado à transformação digital do setor

Uma das principais novidades da edição de 2026 é a criação do DTech, congresso que nesta edição fará parte da programação do COP International, voltado exclusivamente às tecnologias aplicadas à segurança pública, defesa e gestão governamental. A iniciativa nasce em um momento em que a inteligência artificial, a automação e a análise de dados deixam de ser temas de futuro para se tornarem elementos centrais das operações e da gestão das instituições públicas.

A programação do DTech abordará assuntos como inteligência artificial, cidades inteligentes, plataformas de comando e controle, interoperabilidade, cibersegurança, produção de inteligência, automação e transformação digital das corporações. Nossa proposta, ao reunir especialistas, gestores públicos e empresas desenvolvedoras de tecnologia, é fazer com que o evento amplie o espaço dedicado às discussões sobre inovação e fortaleça o papel do COP International como plataforma para disseminação de conhecimento e desenvolvimento tecnológico”, explica o executivo.

COMABE fortalece o diálogo entre a indústria e os responsáveis pela gestão de materiais bélicos

Outro destaque da programação será a realização do COMABE, encontro promovido em parceria com o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares. O evento reunirá comandantes e gestores responsáveis pela administração de materiais bélicos para discutir logística, controle de armamentos, processos de aquisição, modernização da gestão e compartilhamento de boas práticas entre as corporações.

Além dos debates técnicos, o COMABE permitirá que empresas apresentem soluções desenvolvidas para atender às necessidades operacionais das forças policiais, fortalecendo a aproximação entre indústria, gestores públicos e tomadores de decisão responsáveis pela modernização das instituições de segurança pública.

Uma nova geração de equipamentos para quem está na linha de frente

A inovação também aparece nos equipamentos utilizados diariamente por policiais, militares e demais profissionais responsáveis pela proteção da sociedade. Mais leves, ergonômicos, resistentes e tecnologicamente avançados, esses produtos refletem uma preocupação crescente com desempenho operacional e segurança dos agentes.

A Condor apresentará uma série de lançamentos, entre eles o LMM-637, lançador múltiplo manual capaz de realizar seis disparos sequenciais sem necessidade de remuniciamento; a pistola menos letal DEFENSOR FR-112, voltada às ocorrências de curta distância; o sistema veicular LMV-637, equipado para operação remota com giro de 360 graus; além de demonstrações práticas do sistema SPARK, realizadas em túnel de tiro especialmente preparado para o evento.

A Tait Communications apresenta suas soluções integradas de comunicação para operações de missão crítica, que reúne rádio, banda larga, vídeo e serviços em uma plataforma aberta e interoperável. O destaque é a Matrix 4G, nova geração de câmeras corporais com transmissão ao vivo, 4G e integração nativa ao portfólio. O público poderá conferir demonstrações ao vivo que comprovam os ganhos em eficiência operacional, consciência situacional e capacidade de resposta para a Segurança Pública.

Na área de equipamentos individuais, a Magnum Boots apresenta sua nova geração de calçados táticos. O principal lançamento é a ULTRA LITE CTX, equipada com tecnologia em fibra de carbono desenvolvida para reduzir a fadiga e aumentar o retorno de energia durante longas jornadas operacionais. A empresa também apresenta a plataforma FUSE, que incorpora um sistema de ajuste rápido pensado para ampliar a agilidade dos profissionais em campo.

Já a Vértice Impermeáveis leva ao COP International sua linha de vestimentas impermeáveis de alta performance desenvolvidas para bombeiros, forças policiais, Defesa Civil, concessionárias e indústrias. Produzidas sob medida, as soluções priorizam conforto, proteção e durabilidade para operações em ambientes severos.

Por sua vez, a Federação Sul-Americana de Krav Maga Mestre Kobi apresenta treinamentos especializados voltados às forças policiais e militares, abordando técnicas de combate urbano, retenção de armamento, defesa contra faca, proteção de autoridades e outras atividades desenvolvidas especificamente para operações de segurança pública.

As tecnologias que vão chamar a atenção no COP International 2026

A edição de 2026 do evento mostra que a transformação da segurança pública deixou de acontecer em iniciativas isoladas. As soluções apresentadas pelos expositores revelam uma tendência clara de integração entre inteligência artificial, comunicações críticas, veículos inteligentes, drones, equipamentos de proteção, plataformas de gestão e tecnologias para resgate, criando um ambiente operacional cada vez mais conectado.

“Ao percorrer os corredores da feira, os visitantes encontrarão desde experiências imersivas em realidade virtual até drones autônomos, viaturas elétricas, plataformas inteligentes de monitoramento, equipamentos menos letais de nova geração, sistemas para atendimento de emergências e soluções voltadas à sustentabilidade, demonstrando como inovação e proteção da sociedade caminham cada vez mais juntas”, contextualiza Sansone.

IA passa a orquestrar as operações

Se nas últimas edições a inteligência artificial aparecia como uma promessa para a segurança pública, em 2026 ela assume um papel muito mais abrangente: conectar informações, automatizar processos, ampliar a consciência situacional e apoiar decisões em tempo real.

A Black Spirit levará ao evento suas soluções de inteligência de dados e tecnologias preditivas, destacando como a combinação de Inteligência Artificial, análise geoespacial, machine learning e blockchain transforma volumes dispersos de dados em ações táticas e tomada de decisão em tempo real. Por meio de um ecossistema modular capaz de integrar bases públicas e sigilosas, sensores IoT e ferramentas investigativas, a empresa demonstrará aplicações voltadas à análise preditiva da criminalidade, monitoramento geoespacial, gestão de crises e suporte a investigações digitais com garantia de cadeia de custódia das evidências.

Uma das demonstrações mais completas será apresentada pela Motorola Solutions, que levará à feira a Operação Conectada, uma experiência imersiva em realidade virtual que permite ao visitante acompanhar, em primeira pessoa, toda a evolução de uma ocorrência policial. A demonstração integra comunicações de missão crítica, câmeras corporais, vídeo veicular, reconhecimento automático de placas (ALPR), sensores, aplicações móveis, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e automação, mostrando como diferentes tecnologias passam a atuar como um único ecossistema operacional. Mais do que apresentar equipamentos, a experiência evidencia como dados produzidos em campo podem ser transformados em inteligência para apoiar decisões, fortalecer a cadeia de custódia das evidências e ampliar a proteção dos profissionais envolvidos na operação.

Também com foco na integração tecnológica, a Teltronic apresenta uma nova geração de comunicações críticas baseada na convergência entre redes de rádio e banda larga. A empresa demonstra a plataforma NovaX, premiada internacionalmente como a melhor solução MCX do ano, capaz de integrar voz, vídeo e dados de missão crítica em uma única infraestrutura operacional. O estande também reúne a estação-base GBS, que utiliza inteligência artificial para reduzir em até 70% o consumo energético, além do novo módulo de gestão de incidentes (CIM), desenvolvido para centralizar informações de ocorrências, facilitar o despacho das equipes e acompanhar, em tempo real, toda a evolução operacional.

Complementando esse cenário, a Helper Tecnologia apresenta plataformas inteligentes já utilizadas em dezenas de municípios brasileiros para fortalecer a segurança pública por meio de postos eletrônicos inteligentes, monitoramento urbano, comunicação em tempo real e integração entre equipamentos instalados em campo e centros de comando. O objetivo é ampliar a capacidade operacional das corporações e oferecer respostas mais rápidas às ocorrências por meio da análise inteligente de dados e imagens.

A transformação digital também alcança a administração pública. A X-VIA Tecnologia apresentará sua plataforma de governo digital, utilizada por estados brasileiros para integrar serviços, promover interoperabilidade entre órgãos públicos e oferecer identidade digital, autenticação segura, assinatura eletrônica e gestão unificada de informações. Desenvolvida em parceria com especialistas da Estônia, referência mundial em governo digital, a solução demonstra como segurança pública e transformação digital caminham de forma cada vez mais integrada.

Drones ampliam a capacidade das operações

Os drones também ocupam posição de destaque na edição de 2026 do COP International. Se antes eram empregados principalmente em missões de observação aérea, agora passam a executar atividades cada vez mais complexas, incluindo transporte de cargas, monitoramento automatizado, inspeções remotas, apoio a operações policiais e proteção de infraestruturas críticas.

A GoHobby, maior distribuidora de drones da América Latina, apresentará uma série de lançamentos voltados à segurança pública, entre eles o DJI Matrice 400, desenvolvido para inspeções, monitoramento e operações de busca e salvamento; o DJI Dock 3, que permite missões totalmente automatizadas; e o DJI FlyCart 100, plataforma destinada ao transporte de suprimentos em áreas remotas ou de difícil acesso. A empresa também demonstra soluções de detecção e neutralização de drones, como os sistemas Sentinel Hunter e Sentinel Pro, ampliando a capacidade das corporações para atuar diante da crescente utilização desses equipamentos em diferentes cenários operacionais.

Na mesma linha, a Condor Tecnologias Não Letais apresentará novos recursos da família Condor Drop®, sistema desenvolvido para ampliar as possibilidades de emprego operacional de drones em missões de segurança pública. A novidade reforça uma tendência observada em diversos países: a incorporação definitiva das aeronaves remotamente pilotadas como plataformas para apoio às operações policiais e de defesa.

Veículos especiais, blindagem e mobilidade ganham novo protagonismo

A evolução tecnológica da segurança pública também passa pela transformação dos veículos utilizados pelas corporações. Mais do que plataformas de transporte, as novas viaturas passam a incorporar soluções de comunicação, monitoramento, proteção balística, ergonomia e eletrificação, tornando-se verdadeiros centros móveis de operação.

A Flash Engenharia apresentará suas soluções customizadas para a adaptação e sinalização audiovisual de veículos especiais e motocicletas de forças de elite. Em seu estande, a empresa irá destacar veículos de inteligência e a Plataforma de Observação Elevada, projetados para reforçar a proteção dos agentes e a gestão de monitoramento em campo. Reconhecida como a maior transformadora do setor na América Latina, a Flash também celebrará no evento a expansão de sua capacidade fabril com a nova unidade produtiva em Sorocaba (SP).

Essa tendência poderá ser observada no estande do Grupo Raytec, que participa pela primeira vez do COP International levando um dos maiores espaços da feira para apresentar uma nova geração de veículos especiais desenvolvidos para diferentes cenários operacionais. Entre os destaques estão a Renault Boreal blindada, preparada para operações de maior risco; o Mitsubishi Eclipse Cross, configurado para atividades de inteligência e investigação com equipamentos discretamente integrados; o Outlander adaptado como viatura policial; além de soluções desenvolvidas sobre plataformas da General Motors, Ford, GWM, Foton e Geely.

A empresa também apresentará motocicletas adaptadas para patrulhamento urbano e uma Ford Ranger Ambulância 4×4 Off-Road, projetada para operações de resgate em regiões remotas, áreas rurais e terrenos de difícil acesso, reforçando uma tendência de especialização crescente das frotas destinadas à segurança pública e ao atendimento de emergências.

Complementando esse cenário, a Abrablin apresentará dados atualizados sobre o mercado brasileiro de blindagem, que segue em expansão impulsionado pelo crescimento da demanda por SUVs, veículos eletrificados e novos perfis de consumidores. Os números mostram que a blindagem deixa de atender exclusivamente autoridades e executivos e passa a integrar um mercado cada vez mais amplo, refletindo mudanças no comportamento dos consumidores e nas estratégias de proteção patrimonial.

Resgate, salvamento e atendimento de emergências entram em uma nova era

A evolução tecnológica também alcança as equipes responsáveis pelo atendimento às emergências. Equipamentos mais leves, inteligentes e portáteis passam a ampliar a capacidade operacional dos profissionais que atuam em ocorrências envolvendo acidentes, incêndios, desastres naturais e salvamentos complexos.

A Resgatécnica reunirá no COP International um portfólio voltado às diferentes etapas de uma operação de resgate. Entre os principais destaques está a Holmatro T1, ferramenta multifuncional destinada a operações de adentramento, arrombamento e resgate, concebida para ampliar a mobilidade das equipes e acelerar a resposta inicial. A empresa também apresentará a linha PENTHEON, composta por ferramentas hidráulicas movidas a bateria, que oferecem maior liberdade de movimentação durante operações de desencarceramento e resgate técnico.

O portfólio inclui ainda capacetes KASK, equipamentos de comunicação subaquática OTS e câmeras térmicas Seek Thermal, utilizadas para inspeções, localização de vítimas e avaliação de riscos em ambientes de baixa visibilidade. Mais do que fornecer equipamentos, a Resgatécnica destaca sua atuação como integradora de soluções internacionais adaptadas à realidade operacional das corporações brasileiras, oferecendo suporte técnico, treinamento e acompanhamento especializado.

Na área de atendimento às vítimas, a CSE apresentará equipamentos voltados ao Atendimento Pré-Hospitalar (APH), incluindo o monitor/desfibrilador DEFIGARD Touch 7, o compressor torácico automático Easy Pulse e o dispositivo Cardio First Angel, desenvolvidos para apoiar bombeiros, equipes de resgate, Defesa Civil e forças policiais durante os primeiros minutos de atendimento às vítimas.

Outro destaque será a Realiza Antichamas, que apresenta uma nanotecnologia brasileira desenvolvida para potencializar a eficiência da água no combate a incêndios. A solução reduz significativamente o consumo de água, diminui o tempo necessário para controlar as chamas e reduz os riscos de reignição, além de possuir formulação biodegradável, atóxica e livre de PFAS, reforçando o compromisso com a sustentabilidade ambiental.

Sustentabilidade e economia circular passam a fazer parte da segurança pública

Tradicionalmente associada à proteção da sociedade, a segurança pública também passa a incorporar práticas relacionadas à sustentabilidade, economia circular e responsabilidade ambiental.

Essa transformação poderá ser observada no estande da Nortica, empresa especializada na gestão do ciclo de vida de produtos controlados. A companhia apresentará soluções voltadas à rastreabilidade, descaracterização, reciclagem e reaproveitamento de materiais estratégicos, demonstrando como equipamentos balísticos podem ser transformados em novos insumos industriais dentro de um modelo alinhado aos princípios de ESG e às exigências da legislação brasileira.

A agenda sustentável também será reforçada pela Realiza Antichamas, cuja tecnologia evidencia que inovação e proteção ambiental podem caminhar juntas, reduzindo o impacto das operações de combate a incêndios sobre os recursos naturais.

Mercado, defesa e modernização da indústria

O COP International também será palco para discussões sobre o fortalecimento da indústria nacional de segurança e defesa, a modernização do ambiente regulatório e a evolução do mercado brasileiro de produtos controlados.

A APCE apresentará iniciativas voltadas à rastreabilidade, logística reversa, conformidade regulatória e desenvolvimento de políticas públicas relacionadas aos produtos controlados, reforçando o papel da integração entre governo, indústria e academia para a construção de um ambiente mais seguro e tecnologicamente avançado.

Já a AVB do Brasil apresentará seu portfólio de equipamentos táticos destinados às forças policiais, militares e ao mercado de segurança, evidenciando a diversidade de soluções disponíveis para atender às diferentes necessidades operacionais das corporações.

Uma feira que antecipa o futuro da segurança pública

Mais do que apresentar novos produtos, o COP International 2026 revela uma mudança estrutural na forma como governos, forças de segurança e indústria enxergam a proteção da sociedade. As soluções exibidas ao longo da feira demonstram que inteligência artificial, comunicações críticas, drones, veículos especiais, equipamentos operacionais, plataformas digitais e tecnologias para resgate deixam de funcionar como iniciativas independentes para formar um ecossistema integrado, capaz de conectar pessoas, informações e decisões em tempo real.

“Essa convergência tecnológica dialoga diretamente com os principais desafios enfrentados pelas corporações: ampliar a eficiência operacional, reduzir o tempo de resposta às ocorrências, fortalecer a integração entre instituições e oferecer melhores condições de trabalho aos profissionais que atuam diariamente na proteção da população”, João Sansone.

Serviço | COP International 2026

Data: 11 a 13 de agosto de 2026

Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)

Credenciamento: gratuito para profissionais das áreas de Segurança Pública e Defesa.

O público interessado também poderá participar mediante inscrição.

Mais informações: https://cop.international

Sobre o COP International

O COP International é o principal ambiente de convergência entre operação, gestão, tecnologia e indústria para os setores de Segurança Pública, Defesa e Inteligência da América Latina. Mais do que um congresso ou feira de negócios, o evento consolidou-se como uma plataforma estratégica de integração entre profissionais da linha de frente, autoridades, gestores públicos, forças armadas, especialistas e empresas responsáveis pelo desenvolvimento das soluções que ajudam a proteger a sociedade.

Criado em 2021, o COP nasceu com a missão de impulsionar a evolução da segurança pública por meio da troca de conhecimento, da disseminação de boas práticas, da apresentação de tecnologias inovadoras e da aproximação entre os diversos atores que compõem esse ecossistema.

Em sua edição de 2025, o evento reuniu mais de 20 mil participantes, mais de 80 empresas e instituições expositoras, mais de 70 palestrantes e movimentou mais de R$ 100 milhões em negócios, números que reforçam sua relevância como plataforma de relacionamento, atualização profissional e geração de oportunidades. Para 2026, a expectativa é superar a marca de 25 mil visitantes, em uma área de 14 mil metros quadrados no São Paulo Expo, consolidando a maior edição de sua história.

Ao reunir conhecimento, inovação, experiência operacional e cooperação institucional, o COP International posiciona-se como o principal hub de conteúdo, fortalecimento institucional, networking qualificado e geração de negócios de alto valor para todo o ecossistema de Segurança, Defesa e Inteligência, responsáveis pela proteção da sociedade na América Latina. Para saber mais, acesse https://cop.international/

Assessoria de Imprensa – IZYCOM Comunicação

Fabiana Félix – [email protected]

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Jorge H. Ohf https://infoarmas.com.br <![CDATA[Raytec participa pela primeira vez da COP International e apresenta lançamentos para segurança pública]]> https://infoarmas.com.br/?p=13255 2026-08-11T13:02:09Z 2026-08-11T13:02:05Z

Referência em transformação automotiva, o Grupo Raytec leva novos veículos voltados às operações de segurança, atendimento e resgate

O Grupo Raytec, referência em transformação automotiva, participa pela primeira vez da COP International, com uma série de novidades que chegam com a proposta de transformar o mercado de segurança pública. O evento acontece entre os dias 11, 12 e 13 de agosto, no São Paulo Expo, e marca a 6ª edição do principal evento de latino americano de segurança pública e atividade policial. Em um estande de 352m², o Grupo Raytec  exibe novos modelos de viaturas e apresenta, entre os principais lançamentos, veículos elétricos, motos e uma picape cabine simples ambulância 4×4 voltada a resgates em terrenos de difícil acesso.

“Participar de um dos principais eventos de segurança pública da América Latina é uma oportunidade de mostrar a evolução da Raytec e a capacidade da indústria brasileira de desenvolver soluções para diferentes cenários de atuação. Nesta edição, apresentaremos novos veículos e tecnologias embarcadas que ampliam nossa atuação e contribuem para tornar as operações mais eficientes e seguras”, comenta Jonatas Matos, presidente do Grupo.

Conheça os lançamentos da marca para o evento:

Carro blindado: a SUV da Renault, modelo BOREAL, especialmente desenvolvido para operações de maior risco, com proteção balística parcial Nível III-A integrada à configuração operacional. A proposta combina segurança dos ocupantes, mobilidade e tecnologia embarcada, oferecendo maior proteção às equipes durante patrulhamentos, escoltas e intervenções críticas.

GWM Poer P30: Esse veículo reúne a robustez e a capacidade operacional de uma picape com uma transformação técnica voltada ao atendimento rápido em ocorrências de incêndio, salvamento e apoio emergencial, oferecendo segurança, organização, mobilidade e versatilidade para operações em áreas urbanas, rurais e florestais. Para ampliar a capacidade de atuação em terrenos e situações críticas, o veículo recebe para-choque de impulsão com proteção dos faróis, guincho elétrico com cabo sintético, estribos laterais, grades de proteção das lanternas, películas de segurança e revestimentos internos laváveis e removíveis.

Ford Ranger Ambulância 4×4 Off-Road: a Ford Ranger Ambulância 4×4 Off-Road representa uma solução de atendimento médico para regiões remotas e terrenos severos. A configuração une a capacidade de tração e robustez da picape a uma célula de atendimento emergencial, permitindo transportar equipes e pacientes em áreas rurais, estradas não pavimentadas, operações de resgate e situações de calamidade.

Ford Territory: a Ford Territory será demonstrada como uma alternativa moderna para patrulhamento e atividades institucionais. O SUV alia conforto, tecnologia, espaço interno e presença visual, podendo receber sinalização de emergência, sistemas de comunicação e equipamentos operacionais sem comprometer sua proposta de sofisticação.

Motos: as motocicletas adaptadas representam uma solução de resposta rápida para patrulhamento urbano, escoltas, fiscalização e atendimento de ocorrências. A principal vantagem é a agilidade no trânsito, associada à sinalização visual e sonora, comunicação e compartimentos para equipamentos.

  • GWM TANK 300: o GWM TANK 300 será um dos destaques como SUV policial de alta capacidade operacional. A configuração prevê sinalização no padrão SENASP, rádio transceptor, sistema de monitoramento com monitor e DVR e bagageiro para equipamentos. Sua proposta combina robustez, tecnologia e versatilidade para operações urbanas e em terrenos mais exigentes.
  • HPE Mitsubishi – Eclipse Cross: o Mitsubishi Eclipse Cross será apresentado em configuração policial descaracterizada, com sinalização visual oculta, sirene, rádio transceptor e sistema de monitoramento com câmeras e DVR instalados de maneira discreta. O projeto preserva a aparência original do SUV, sendo indicado para inteligência, investigação e operações veladas.
  • HPE Mitsubishi – Outlander: o Mitsubishi Outlander será exibido como viatura policial caracterizada, equipada com sinalização ostensiva, monitoramento, comunicação, compartimento para armas e acessórios, além de divisória para transporte de detidos. A configuração valoriza espaço interno, segurança e versatilidade para diferentes missões policiais.
  • General Motors: a picape S-10 da General Motors será apresentada com soluções de adaptação voltadas ao patrulhamento e às operações especiais. Os projetos buscam integrar robustez veicular, sinalização, comunicação e ergonomia, oferecendo configurações ajustáveis às necessidades da Polícia Militar, Polícia Civil, guardas municipais e demais órgãos.
  • Foton Tunland: a Foton Tunland será apresentada como viatura policial picape destinada ao policiamento ostensivo, equipada com sinalização, rádio, proteção frontal, guincho elétrico, caçamba preparada e estrutura para transporte da equipe policial. O projeto foi concebido para operações que exigem capacidade de carga, resistência e atuação em condições mais severas.
  • GEELY EX2 MAX: será apresentado em configuração demonstrativa de rádio patrulha, evidenciando seu potencial para operações de segurança pública, patrulhamento urbano e apoio às atividades policiais, com destaque para mobilidade, eficiência energética, tecnologia embarcada e baixo custo operacional.

Planos de expansão

A Raytec está atravessando fronteiras e celebra a parceria internacional com a empresa MOMARENTO, do Peru. Além disso, a empresa já mira expansão em outros países da América Latina visando fortalecer a sua presença além do Brasil.

Serviço:

COP International

Data: 11, 12 e 13 de agosto de 2026

Horário: 11 e 12 de agosto de 13h às 20h; e 13 de agosto de 13h às 18h

Local: Rod. dos Imigrantes, 1 – 5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP, 04329-900

Stand: E16

Sobre o Grupo Raytec

Fundada há mais de 12 anos, a Raytec Veículos Especiais consolidou-se como referência no segmento de transformação automotiva, oferecendo soluções para frotas governamentais, veículos blindados, modelos refrigerados, minibus VIP e projetos customizados. A excelência é respaldada por certificações internacionais e nacionais de qualidade e segurança, incluindo ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001, ISO 37001 e a fase final de implementação da IATF 16949:2016 — norma global da indústria automotiva. O Grupo Raytec é homologado pelas principais montadoras e possui certificação internacional de qualidade das fabricantes Renault PRO+ e Ford Pro Converter, assim como certificações para blindagem veicular. Atualmente, opera unidades industriais na Bahia (duas em Lauro de Freitas e uma em Vitória da Conquista), uma no Paraná (São José dos Pinhais) porta a porta com a Renault do Brasil, uma no Espírito Santo (Cariacica), enquanto em São Paulo, na cidade de Boituva, mantém o CEPT – Centro de Engenharia, Pesquisa e Treinamento, além da ZION SIGNAL, empresa especializada em sinalização automotiva, desenvolve e fornece soluções voltadas à adaptação de veículos especiais, com produtos projetados para atender às normas SAE aplicáveis ao segmento, especialmente em requisitos de sinalização luminosa e segurança veicular.

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Jorge H. Ohf https://infoarmas.com.br <![CDATA[QUANTO O COMPRIMENTO DO CANO INFLUENCIA A VELOCIDADE DO PROJÉTIL? UM TESTE PRÁTICO COM CRONÓGRAFO.]]> https://infoarmas.com.br/?p=13244 2026-07-23T20:15:48Z 2026-07-23T20:15:45Z Artigo escrito por:

THOBIAS DA SILVEIRA

Oficial da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Graduado em Direito e em Relações Internacionais. Pós-graduado em Balística e instrutor de armamento e tiro. É criador da página Balística & Armas (@balisticarmas) no Instagram, espaço dedicado à divulgação de conteúdo técnico sobre armas de fogo, munições e balística para profissionais de segurança pública, instrutores, atiradores e demais interessados no tema.

É fato que, em condições normais, o aumento do comprimento do cano tende a elevar a velocidade do projétil. O equívoco surge quando essa relação é interpretada como proporcional, supondo-se que, se dobrarmos o tamanho do cano, vamos também dobrar a velocidade do projétil na boca. Na prática, os fenômenos relacionados à balística interna e externa não se comportam dessa forma.

O cano mais longo realmente pode gerar maior velocidade, mas esse ganho ocorre de maneira não linear e com retornos progressivamente menores do que se imagina. Isso ocorre porque a aceleração do projétil ao longo da alma do cano está condicionada ao comportamento da pressão interna durante o disparo e ao padrão de queima do propelente. À medida que o projétil avança, o volume disponível para os gases aumenta, o que modifica a curva de pressão e reduz progressivamente a capacidade de aceleração.

Esse fenômeno varia conforme o projeto do cartucho. Em calibres destinados a armas curtas, o propelente normalmente apresenta menor volume e queima mais rápida, justamente porque há menor comprimento de cano disponível para converter a expansão dos gases em velocidade útil. Já nos calibres de armas longas, é possível trabalhar com maior quantidade de propelente e com uma curva de queima mais adequada a canos maiores, permitindo que a expansão dos gases seja aproveitada por mais tempo ao longo do percurso interno do projétil.

METODOLOGIA

Para esclarecer essa questão de forma objetiva, conduzimos testes balísticos com medição da velocidade na boca do cano em diversas armas, utilizando um cronógrafo Garmin Xero C1 Pro. Para isso, empregaram-se munições originais CBC, sendo utilizada a munição CBC ETOG, 124 grains, no calibre 9 mm Luger e as munições CBC M193, 55 grains, e OTM (Open Tip Match), 77 grains, ambas no calibre 5,56 × 45 mm. Em cada arma, foram realizados cinco disparos, sendo posteriormente calculada a velocidade média obtida.

No calibre 9 mm Luger, foram utilizadas as pistolas Glock G43X, Taurus TS9C, Taurus TS9 e Taurus PT92, além das carabinas Fire Eagle FE 905, FE 908 e FE 914. Já no calibre 5,56 × 45 mm, foram utilizadas as plataformas Taurus T4 de 7,5 polegadas, e Fire Eagle FE-115S, FE-145S e FE-16S, de 11,5, 14,5 e 16 polegadas, respectivamente. Essa variedade de armas permitiu comparar diferentes comprimentos de cano dentro de cada calibre, observando como a velocidade média se comportou em cada configuração.

Como foram utilizadas armas distintas, os resultados devem ser interpretados com a devida cautela. A velocidade inicial sofre influência de uma série de fatores construtivos da arma, entre eles a fabricação e a forma do raiamento, o acabamento interno do cano e da coroa, as dimensões da câmara e as tolerâncias técnicas adotadas. Ainda assim, o teste permite identificar uma tendência prática bastante útil, sem desconsiderar que cada arma apresenta particularidades mecânicas capazes de interferir no resultado final.

VELOCIDADE E DESEMPENHO TERMINAL

A velocidade constitui uma das variáveis centrais da balística. No campo da balística externa, ela influencia fenômenos como a estabilidade giroscópica do projétil e sua queda ao longo da trajetória. Já no campo da balística terminal, condiciona parâmetros como a energia cinética e o momento linear no momento do impacto. Esses fatores acabam afetando, por consequência, tanto a precisão do disparo quanto o comportamento terminal do projétil, alterando o formato da lesão e a capacidade de penetração no corpo.

Quando se observam os elementos que influenciam a capacidade lesiva e as formas de incapacitação, a importância da velocidade fica ainda mais mensurável ao analisarmos aspectos da física. No caso da energia cinética, como a velocidade aparece elevada ao quadrado (Ec = m v2 / 2), pequenos aumentos já produzem incrementos relevantes. Ao mesmo tempo, o aumento da velocidade também eleva o momento linear do projétil (p = m v), influenciando sua capacidade de manter a inércia ao encontrar resistência. Isso tende a favorecer a penetração ao longo do trajeto do projétil em tecidos, inclusive diante de barreiras intermediárias.

Dentro de um mesmo cartucho, projéteis mais leves tendem a sair com maior velocidade, o que normalmente reduz o momento linear apesar do ganho cinético. O cano mais longo eleva a velocidade sem alterar a massa do projétil, de modo que tanto a energia cinética quanto o momento linear aumentam, o que é particularmente favorável do ponto de vista da balística terminal.

A velocidade também influencia diretamente o mecanismo de lesão. Conforme Vincent J. M. DiMaio (Gunshot Wounds), convencionou-se classificar como projéteis de alta velocidade aqueles que atingem o alvo acima de aproximadamente 2.000 pés por segundo (fps), cerca de 610 metros por segundo (m/s). Trata-se de um limiar prático, e não de uma fronteira física exata. Nessa faixa, a passagem do projétil pode impor aos tecidos um deslocamento radial intenso e abrupto, provocando expansão temporária dos tecidos adjacentes ao trajeto.

Quando essa deformação permanece dentro do limite elástico do tecido afetado, que varia significativamente entre músculo, vísceras maciças (fígado e baço, por exemplo) e órgãos ocos (estômago, intestinos e bexiga, por exemplo), as estruturas tendem a retornar à posição original, sem dano adicional significativo. Porém, quando a velocidade é suficientemente alta, especialmente acima de aproximadamente 610 m/s, o deslocamento radial pode superar a capacidade elástica de determinados tecidos. Nessa situação, a lesão deixa de se limitar ao diâmetro do projétil e à cavidade permanente, passando a incluir danos provocados pela cavidade temporária.

Figura 1 – Cavidade permanente x cavidade temporária

Em calibres típicos de armas curtas, como o 9 mm Luger, esse patamar de alta velocidade normalmente não é alcançado, mesmo com canos mais longos. Por isso, a lesão relevante tende a decorrer principalmente da cavidade permanente, isto é, do trajeto diretamente produzido pelo projétil. Nesse caso, o diâmetro do projétil determina o diâmetro da cavidade permanente, enquanto a massa e a velocidade contribuem para a profundidade de penetração, favorecendo um túnel lesivo mais profundo e, consequentemente, maior potencial de incapacitação por hipovolemia, decorrente da perda massiva de sangue. No 9 mm Luger, portanto, o ganho de velocidade é importante sobretudo por elevar o momento linear e melhorar a capacidade de penetração, mas não por transformar o calibre em um projétil de alta velocidade.

Já no 5,56 × 45 mm, a velocidade assume papel mais decisivo, pois o calibre pode produzir lesões tanto por cavidade permanente quanto por cavidade temporária, esta última potencializada por fenômenos como tombamento e eventual fragmentação do projétil. Para que esses efeitos tenham maior relevância, é importante que o projétil atinja o alvo ainda em alta velocidade, em regra em velocidades próximas ou superiores a 610 m/s, ou 2.000 fps. Quanto maior a velocidade inicial, maior tende a ser a distância em que o projétil permanece acima desse limiar, preservando melhor seu potencial terminal ao longo da trajetória.

Na análise da balística terminal, a cavidade permanente costuma ser tratada como dano primário, por corresponder ao trajeto diretamente destruído pelo projétil. A cavidade temporária pode ser compreendida como dano secundário, decorrente da expansão radial dos tecidos ao redor desse trajeto. Já a fragmentação representa um dano terciário, pois cria múltiplos fragmentos que ampliam a área lesionada além do canal principal.

No caso da munição M193, a fragmentação confiável costuma ser associada a velocidades de impacto na faixa de 2.500 a 2.700 fps (cerca de 762 a 823 m/s), conforme observado em estudos do Wound Ballistics Laboratory (Fackler), embora o limiar exato varie conforme o lote do projétil, o ângulo de impacto e o meio atingido. Isso reforça a importância da velocidade no 5,56 × 45 mm. Para explorar plenamente o potencial de fragmentação da M193, não basta estar acima do limiar de alta velocidade, é necessário manter uma velocidade significativamente superior.

TESTES DE VELOCIDADE DOS PROJÉTEIS 9 MM LUGER EM DIFERENTES TAMANHOS DE CANO

No teste com 9 mm Luger, foi utilizada munição ETOG de 124 grains em pistolas subcompactas, compactas, standard e também em carabinas. Os resultados mostram que o calibre responde ao aumento de cano, mas com ganhos moderados:

Na comparação de armas compactas/subcompactas com as standard, a diferença de velocidade inicial já aparece de forma mensurável. A Glock G43X, com cano de 3,4 polegadas, registrou média de 1.085 fps, enquanto a Taurus TS9C, com cano de 3,7 polegadas, chegou a 1.100 fps. Quando comparadas à Taurus TS9, com cano de 4 polegadas e média de 1.133 fps, a TS9 ficou aproximadamente 4,4% acima da G43X e cerca de 3,0% acima da TS9C. Em relação à Taurus PT92, com cano de 5 polegadas e média de 1.164 fps, essa diferença sobe para aproximadamente 7,3% acima da G43X e 5,8% acima da TS9C.

O ganho de velocidade observado no cano standard em relação às configurações subcompacta e compacta, na ordem de 3% a 7%, tende a se refletir em algum incremento da energia cinética e do momento linear. Trata-se de uma diferença mensurável, que pode sugerir leve redução da capacidade de penetração ao se optar por armamentos mais compactos, sem que isso, contudo, comprometa de forma relevante o seu emprego.

Nas carabinas Fire Eagle, o aumento do comprimento do cano também resultou em ganho de velocidade, mas com retornos progressivamente menores. A FE 905, com cano de 5,5 polegadas, registrou média de 1.224 fps. Ao passar para a FE 908, com cano de 8,5 polegadas, houve acréscimo de 3 polegadas e a velocidade subiu para 1.292 fps, representando ganho de 5,56%.

Já entre a FE 908 e a FE 914, o cano passou de 8,5 para 14,5 polegadas, acréscimo de 6 polegadas. A velocidade subiu de 1.292 fps para 1.346 fps, ganho adicional de apenas 4,18%. Ou seja, dobrar o acréscimo de cano produziu menos ganho do que o salto anterior, evidenciando uma tendência de queda e que o retorno marginal de velocidade diminui rapidamente nessa faixa.

Para permitir uma comparação mais objetiva, foi elaborada uma tabela tomando como referência o cano de provete de 3,9 polegadas informado pela CBC, medida próxima ao padrão encontrado em muitas pistolas de serviço. A partir dessa referência, foram calculadas as diferenças de comprimento de cano e as respectivas variações de velocidade obtidas em cada arma testada. Os dados seguem na tabela abaixo.

A comparação com o cano de provete mostra que a Fire Eagle de 8,5 polegadas, com mais que o dobro do comprimento de referência, apresentou aumento de cerca de 16% na velocidade. A de 14,5 polegadas, com quase quatro vezes o comprimento do provete, alcançou ganho de aproximadamente 21%.

O comportamento é compatível com uma curva de pressão interna que decai rapidamente após o pico, característica de cartuchos concebidos para armas curtas, com menor quantidade de propelente e padrão de queima mais rápido. O 9 mm Luger continua respondendo ao aumento do cano, porém com retornos marginais decrescentes e sem mudança qualitativa de regime: a velocidade permanece abaixo do limiar convencional de alta velocidade, e o ganho do cano longo se traduz essencialmente em maior energia cinética e momento linear.

TESTES DE VELOCIDADE DOS PROJÉTEIS 5,56 × 45 MM EM DIFERENTES TAMANHOS DE CANO

Para os testes no calibre 5,56 × 45 mm, foram utilizadas munições CBC M193 de 55 grains, um carregamento leve cujo desempenho terminal está fortemente associado à velocidade. Nessa munição, a alta velocidade não apenas eleva a energia cinética e o momento linear, mas também favorece a produção de lesões por cavidade temporária, aspecto central para o comportamento terminal desse calibre.

A munição M193 corresponde à primeira padronização militar do 5,56 × 45 mm, adotada com o M16 a partir de meados da década de 1960. O AR-15 foi desenvolvido por Eugene Stoner na ArmaLite no final dos anos 1950, originalmente em torno do cartucho .222 Remington / .222 Special, que evoluiu para o .223 Remington e, na versão militar, para o 5,56 × 45 mm M193. Tanto o AR-15 quanto o M16 foram concebidos com canos longos, na faixa de 20 polegadas. Por isso, trata-se de um carregamento pensado para aproveitar uma quantidade de propelente compatível com maior extensão de cano, permitindo que a expansão dos gases e a aceleração do projétil se desenvolvam de forma mais eficiente ao longo do percurso interno.

Com a evolução dos combates modernos e a necessidade de armas mais compactas, os fuzis originalmente concebidos com canos de 20 polegadas passaram a ser adaptados para plataformas mais curtas, como o Colt M4, com 14,5 polegadas, além de versões com 11,5 polegadas e até menores, voltadas ao emprego em CQB. O ponto crítico é que, à medida que o cano é encurtado, torna-se mais difícil preservar, ao longo da trajetória, a velocidade necessária para o melhor desempenho terminal do 5,56 × 45 mm.

Foi exatamente isso que o teste demonstrou. Abaixo, seguem os dados compilados do teste:

Os dados do gráfico mostram que o maior ganho de velocidade ocorreu justamente na passagem do cano de 7,5 para 11,5 polegadas. Com apenas 4 polegadas adicionais, a velocidade média subiu de 2.367 fps para 2.857 fps, representando aumento de 20,70%.

A partir daí, os ganhos continuam existindo, mas em proporção menor. Da plataforma de 11,5 para 14,5 polegadas, houve acréscimo de 3 polegadas de cano e a velocidade passou de 2.857 fps para 3.010 fps, aumento de 5,36%. Já de 14,5 para 16 polegadas, com acréscimo de 1,5 polegada, a velocidade subiu de 3.010 fps para 3.084 fps, ganho adicional de 2,46%.

Isso demonstra um comportamento de retorno decrescente: o cano maior continua elevando a velocidade, mas o acréscimo mais relevante ocorre quando se sai de uma configuração extremamente curta para uma intermediária.

Como o cano de 7,5 polegadas destoou de forma significativa dos demais resultados, elaboramos uma tabela específica tomando essa configuração como referência, para evidenciar a diferença em relação às plataformas mais longas. Os dados seguem na tabela abaixo.

A partir dessa comparação, observa-se que a plataforma de 11,5 polegadas, com acréscimo de 4 polegadas de cano, apresentou ganho de cerca de 20% na velocidade em relação ao cano de 7,5 polegadas. Já o cano de 14,5 polegadas, com aumento de 7 polegadas, apresentou ganho aproximado de 27%. Por fim, a plataforma de 16 polegadas, com acréscimo de 8,5 polegadas de cano, alcançou pouco mais de 30% de aumento na velocidade. O cano de 7,5 polegadas, portanto, impôs uma perda balística muito mais acentuada, justamente por reduzir de forma severa o tempo de aproveitamento dos gases e a aceleração do projétil no interior do cano.

Em outras palavras, o cano de 7,5 polegadas entrega o projétil à boca já com velocidade significativamente reduzida em relação ao que a plataforma de origem do cartucho (canos de 20 polegadas) foi concebida para entregar. A literatura de balística terminal associa os efeitos lesivos mais relevantes do 5,56 × 45 mm, como cavidade temporária, tombamento e eventual fragmentação, à manutenção de velocidades de impacto elevadas. Configurações de cano muito curto reduzem a margem disponível para preservar essas velocidades ao longo da trajetória. A quantificação exata dessa perda de potencial terminal depende de medições de balística externa e terminal não realizadas neste estudo.

O efeito do comprimento de cano sobre a velocidade também foi avaliado com munição de projétil mais pesado, em carregamento OTM (Open Tip Match) de 77 grains, disparado nas mesmas plataformas de 7,5 e 14,5 polegadas. Por se tratar de projétil consideravelmente mais pesado que o M193 de 55 grains, já se esperava velocidade inicial menor em ambas as configurações, o que foi confirmado pelo teste: a Taurus T4 de 7,5 polegadas registrou média de 2.082 fps (cerca de 635 m/s), enquanto a Fire Eagle FE-145S de 14,5 polegadas atingiu média de 2.596 fps (cerca de 791 m/s).

O ganho de velocidade entre as duas plataformas foi de 24,69%, magnitude semelhante à observada com M193 entre os mesmos canos. O ponto que merece destaque, contudo, está no patamar de saída do cano de 7,5 polegadas: a 635 m/s, o OTM 77 gr deixa a boca apenas cerca de 25 m/s acima do limiar convencional de 610 m/s, margem ainda mais estreita que a observada com a M193 (110 m/s). Em projéteis mais pesados, embora o momento linear seja superior ao do M193 de 55 grains, a margem de velocidade disponível em canos extremamente curtos torna-se ainda mais reduzida, o que reduz a faixa útil em que se pode contar com os efeitos terminais associados à alta velocidade.

CONCLUSÕES PRÁTICAS

Os testes no cronógrafo mostraram que o aumento do comprimento do cano gerou ganhos de velocidade em ambos os calibres analisados, com magnitudes documentadas nas tabelas anteriores. Como a energia cinética e o momento linear são funções diretas da velocidade (e da massa, mantida constante por cartucho), o ganho se traduz necessariamente em ganho de energia e de momento.

No caso do 9 mm Luger, o aumento do comprimento do cano gerou ganho considerável de velocidade, mas sem crescimento proporcional. Como observado no teste, mesmo quando o comprimento do cano mais do que dobrou, a velocidade não acompanhou essa proporção: a carabina de 8,5 polegadas apresentou ganho na faixa de 16% em relação ao cano de provete de 3,9 polegadas. Esse acréscimo eleva o momento linear do projétil de forma proporcional, o que tende a favorecer a capacidade de penetração. A velocidade obtida, contudo, permanece bem abaixo do limiar convencional de alta velocidade, de modo que o ganho não torna o calibre capaz de produzir lesões significativas por cavidade temporária.

Em determinado ponto, a tendência é que o acréscimo de cano deixe de trazer benefício expressivo e possa até gerar perda de velocidade. Isso ocorre quando a pressão residual dos gases atrás do projétil cai abaixo da pressão necessária para vencer o atrito do projétil contra o raiamento. A partir desse ponto, o cano passa a desacelerar o projétil em vez de acelerá-lo. Nos comprimentos testados, até 14,5 polegadas, essa perda ainda não foi verificada, mas os dados já indicam redução progressiva do ganho.

Também se observou que pistolas subcompactas e compactas apresentam uma leve redução de velocidade quando comparadas às pistolas standard. Essa diferença, embora pequena em termos absolutos, pode trazer algumas implicações para o comportamento terminal, tendo em vista que projéteis expansivos ponta oca dependem de uma janela mínima de velocidade para deformar conforme projetados, e velocidades abaixo dessa janela podem resultar em expansão parcial ou inexistente. Esse fator pode variar conforme a marca e modelo do cartucho. Em cenários em que essa janela não pode ser garantida, munições ogivais (não expansivas) tendem a apresentar comportamento de penetração mais previsível.

Em síntese, as carabinas em 9 mm Luger oferecem alguma vantagem balística sobre as pistolas, principalmente pelo aumento de velocidade, energia e momento linear. Contudo, essa vantagem é menor do que se poderia imaginar apenas pelo maior comprimento do cano, e precisa ser equilibrada com a proposta de emprego da arma. Seus principais benefícios estão no conjunto da plataforma: maior capacidade de carregador, melhor controle da arma e maior estabilidade no disparo, especialmente pela possibilidade de emprego com três pontos de contato (mão de empunhadura, mão de apoio e ombro). Em contrapartida, o cano mais longo prejudica a mobilidade em ambientes confinados ou no interior de veículos.

No calibre 5,56 × 45 mm, o comportamento medido foi diferente. O cano de 7,5 polegadas apresentou perda muito acentuada de velocidade em relação às demais plataformas, registrando cerca de 721 m/s (2.367 fps) na boca do cano com a M193 de 55 grains e cerca de 635 m/s (2.082 fps) com a OTM de 77 grains.

Aplicando o limiar convencional de DiMaio (610 m/s), a M193 sai da boca apenas cerca de 110 m/s acima da referência e a OTM apenas 25 m/s acima, ambas praticamente no patamar inferior do que a literatura considera alta velocidade, com margem ainda mais estreita no projétil mais pesado.  Considerando a desaceleração aerodinâmica típica desses projéteis, esse resultado sugere que ambos perderiam a condição de alta velocidade a distâncias relativamente curtas.

O desempenho terminal do 5,56 × 45 mm com projétil M193 e OTM está fortemente associado à manutenção de velocidade no impacto, especialmente para os efeitos de cavidade temporária, tombamento e eventual fragmentação. Em velocidades de impacto significativamente reduzidas, esses efeitos tornam-se menos prováveis ou menos intensos, com a lesão passando a depender predominantemente da cavidade permanente, com diâmetro próximo ao próprio calibre do projétil (cerca de 5 mm ou 0,22 polegadas). O encurtamento extremo do cano reduz, portanto, a margem de velocidade disponível para explorar plenamente o potencial terminal previsto para esse cartucho.

A diferença entre os canos de 11,5 e 14,5 polegadas, por sua vez, foi relativamente pequena, na faixa de 5%. Isso sugere que a plataforma de 11,5 polegadas pode representar um ponto de equilíbrio interessante, pois oferece ganho expressivo em mobilidade em relação ao cano de 14,5 polegadas, sem uma perda tão acentuada de velocidade. O cano de 7,5 polegadas, embora possa ser útil em contextos muito específicos de CQB, cobra um preço balístico muito maior.

Com isso, o objetivo deste artigo não foi classificar determinado conjunto arma-munição como bom ou ruim. Foi demonstrar que cada configuração envolve vantagens e limitações. O mesmo conjunto que oferece maior velocidade e melhor desempenho terminal pode sacrificar mobilidade, enquanto uma plataforma mais curta pode favorecer o manejo em ambientes confinados, ainda que com perda balística relevante.

A escolha do comprimento de cano deve considerar a finalidade do operador e o contexto de emprego. A velocidade é um fator importante, embora esteja longe de ser o único. Devem ser avaliados também o controle da arma e a estabilidade no disparo, a capacidade do carregador, a precisão em diferentes distâncias, a facilidade de porte ou transporte e o desempenho terminal esperado em cada conjunto. O que o teste mostra é que o tamanho do cano importa, embora a relação entre cano e velocidade esteja longe de ser simples ou linear. Cano maior não dobra a velocidade, e canos muito curtos, sobretudo em calibres de alta velocidade, podem comprometer de forma relevante o desempenho terminal.

THOBIAS DA SILVEIRA

Oficial da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Graduado em Direito e em Relações Internacionais. Pós-graduado em Balística e instrutor de armamento e tiro. É criador da página Balística & Armas (@balisticarmas) no Instagram, espaço dedicado à divulgação de conteúdo técnico sobre armas de fogo, munições e balística para profissionais de segurança pública, instrutores, atiradores e demais interessados no tema.

BIBLIOGRAFIA

Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). Catálogo técnico de munições. Ribeirão Pires, SP.

Cunha Neto, João da. Balística para profissionais do direito. 1. ed. São Paulo: Clube de Autores, 2020.

DiMaio, V. J. M. Gunshot Wounds: Practical Aspects of Firearms, Ballistics, and Forensic Techniques. 3. ed. Boca Raton: CRC Press, 2016.

Fackler, M. L. Wounding patterns of military rifle bullets. International Defense Review, v. 22, n. 1, p. 59-64, 1989.

Mariz, Luiz Gaspar R. Manual de balística: fundamentos e aplicações. 2. ed. Campinas: Millennium Editora, 2025.

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Jorge H. Ohf https://infoarmas.com.br <![CDATA[Inteligência artificial e inovações aplicadas à segurança pública e defesa pautam a maior edição do COP International]]> https://infoarmas.com.br/?p=13237 2026-07-21T13:35:21Z 2026-07-21T13:35:17Z Inteligência artificial e inovações aplicadas à segurança pública e defesa pautam a maior edição do COP International

A incorporação acelerada de inteligência artificial e de novas tecnologias às atividades de segurança pública e defesa tem alterado a dinâmica das operações, influenciando investimentos e ampliando a articulação entre governos, indústria e centros de conhecimento. Esse avanço também reforça a necessidade de aproximar quem as desenvolve, quem formula políticas públicas e quem as utiliza diariamente na proteção da sociedade.

Essa transformação será o eixo central do COP International 2026, principal evento latino-americano de integração entre Segurança Pública, Defesa, Inteligência e Tecnologia. Entre os dias 11 e 13 de agosto, no São Paulo Expo, o evento aproxima profissionais da linha de frente, gestores públicos, representantes das Forças Armadas, pesquisadores, especialistas e empresas responsáveis pelo desenvolvimento das soluções que vêm transformando o setor.

Ao longo dos três dias, a expectativa é receber mais de  20 mil visitantes, consolidando o crescimento registrado desde sua criação, em 2021. A edição deste ano também marcará uma ampliação da estrutura física, passando de 11 mil para 14 mil metros quadrados de área de exposição, totalmente comercializada, acompanhando o aumento da demanda da indústria e das instituições participantes.

Mais de 80 expositores, oriundos de oito países, estarão presentes neste ano. O encontro também contará com mais de 20 delegações institucionais entre elas o Ministério da Defesa, Ministério da Justiça e Segurança Pública o Fundo Nacional de Segurança Pública, as Secretarias Estaduais de Segurança Pública, os Comandantes Gerais das Polícias Militares, Chefes de Polícia Civil e Chefes de Inteligência, reafirmando  o COP como uma das principais plataformas latino-americanas para compartilhamento de conhecimento, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento institucional nos setores de Segurança Pública, Defesa e Inteligência.

Tecnologia passa a ocupar posição central na programação

Entre os destaques está o lançamento do DTech, congresso proprietário dedicado exclusivamente às tecnologias aplicadas à segurança pública, defesa e gestão governamental.

Embora a inovação sempre tenha integrado a programação do COP, o rápido avanço da inteligência artificial e das ferramentas de automação ampliou o protagonismo do tema. A nova trilha de conteúdo aprofundará discussões sobre cidades inteligentes, cibersegurança, plataformas de comando e controle e aplicações voltadas à produção de inteligência e ao apoio das operações.

Crédito: Foto Divulgação COP International

Experiência operacional transforma conhecimento em inteligência

Parte relevante da programação foi construída a partir da vivência de profissionais que atuam diretamente nas corporações. Durante os três dias, a agenda contará com mais de 40 palestrantes nacionais e internacionais, além de lideranças responsáveis pela formulação e execução de políticas públicas de segurança no Brasil. Os conteúdos a serem apresentados incluem estudos de caso, boas práticas e experiências relacionadas à segurança pública, defesa, inteligência, liderança, gestão e inovação.

Entre os palestrantes confirmados estão David Rausch, presidente da International Association of Chiefs of Police (IACP), a maior associação de lideranças policiais do mundo; Drª. Camila Pintarelli, diretora de Gestão do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP); Dr. Anchieta Nery, diretor de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI) da Senasp/MJSP; Dr. Jean Nunes, secretário de Segurança Pública da Paraíba e presidente do CONSESP; Coronel Renato dos Anjos Garnes, comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e presidente do CNCG, entre outros grandes nomes, autoridades, especialistas e representantes de instituições nacionais e internacionais que atuam na formulação de políticas públicas, na gestão estratégica e na condução de operações de segurança e defesa.

Crédito: Foto Divulgação COP International

Evento conecta quem pesquisa, desenvolve, decide e executa

Poucos encontros conseguem concentrar, em um único espaço, os principais atores responsáveis pela evolução da segurança pública brasileira. Estão confirmadas delegações e representantes do Ministério da Defesa, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Fundo Nacional de Segurança Pública, Secretarias Estaduais de Segurança Pública, Polícias Militares, Polícias Civis, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Penais, Guardas Municipais, órgãos de inteligência e conselhos nacionais das corporações. Ao lado dessas instituições estarão fabricantes, integradores de tecnologia e empresas nacionais e internacionais, criando um espaço de diálogo permanente entre setor público, indústria e comunidade técnica.

“Essa conexão impulsiona o desenvolvimento de políticas públicas, estimula a disseminação de boas práticas e contribui para que inovação, inteligência e experiência operacional sejam incorporadas de forma mais eficiente pelas instituições”, afirma João Sansone, presidente Executivo do COP International.

Crédito: Foto Divulgação COP International

COMABE amplia intercâmbio entre indústria e lideranças das corporações

Entre os encontros que integram a agenda está a COMABE, realizada em parceria com o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares.

O encontro reúne comandantes e gestores responsáveis pela administração de materiais bélicos para discutir temas relacionados à logística, controle de armamentos, processos de aquisição, modernização da gestão e compartilhamento de boas práticas entre as corporações. Paralelamente, empresas parceiras apresentam soluções desenvolvidas para atender às necessidades operacionais das forças policiais, fortalecendo a aproximação entre indústria e tomadores de decisão.

Plataforma amplia inovação, relacionamento institucional e geração de negócios

O COP também se consolidou como um importante ambiente para geração de negócios, fortalecimento de parcerias estratégicas e apresentação de tecnologias voltadas à segurança pública e defesa. Na edição anterior, o evento movimentou mais de R$ 100 milhões em negócios diretos, resultado impulsionado pelo contato direto entre fabricantes, empresas de tecnologia, gestores públicos e lideranças das principais instituições de segurança e defesa do país.

“Para 2026, a expectativa é ampliar esse impacto com a participação de novos expositores, a expansão da área de exposição e a realização simultânea do DTech e da COMABE” declara Sansone.

Criado em 2021, o COP International chega à sua sexta edição refletindo uma transformação mais vivida pelo setor. A integração entre tecnologias e atuação operacional passou a ser um elemento central para responder aos desafios contemporâneos. Ao conectar este ecossistema, o evento se consolida como uma das principais plataformas de troca de conhecimento, cooperação institucional e desenvolvimento de soluções voltadas ao fortalecimento da proteção da sociedade na América Latina.

“Ao longo das suas edições, o COP International se tornou um espaço de convergência entre profissionais que atuam na linha de frente, especialistas, gestores e empresas que desenvolvem soluções para a segurança pública e defesa. Essa aproximação permite compartilhar experiências e ampliar o debate sobre estratégias mais eficientes para apoiar o trabalho das corporações e dos órgãos responsáveis pela proteção da população”, finaliza Sansone.

O COP International 2026 tem o patrocínio master da Flash Engenharia e também patrocínio da Black Spirit. O evento tem ainda o apoio institucional do Ministério da Defesa, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Fundo Nacional de Segurança Pública, DIOPI – Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência, SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública,  Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Polícia Civil do Estado de São Paulo, Polícia Militar do Estado de São Paulo, Detran-SP, ABIMDE, SIMDES, Enforce Tac e iLab, instituições que contribuem para fortalecer a conexão entre os setores de Segurança Pública, Defesa, Inteligência e Tecnologia.

Crédito: Foto Divulgação COP International

Serviço

COP International 2026
Data: 11 a 13 de agosto de 2026
Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)
Credenciamento: gratuito para profissionais das áreas de Segurança Pública e Defesa. O público interessado também poderá participar mediante inscrição.
Mais informações: https://cop.international
Inscreva-se aqui

Assessoria de Imprensa – IZYCOM Comunicação

Fabiana Félix – [email protected]
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Willian Marinho Dourado Coelho <![CDATA[A era dos drones e a carnificina algorítmica: quando seu corpo vira apenas um pixel de calor]]> https://infoarmas.com.br/?p=13228 2026-06-01T13:56:16Z 2026-06-01T13:56:13Z A ficção científica dos anos 80 e 2000 nos vendeu uma mentira reconfortante: a de que a rebelião das máquinas seria barulhenta, precedida por uma inteligência autoconsciente que decide, de um segundo para o outro, odiar a humanidade. Esperávamos ver o brilho vermelho dos olhos de um Exterminador ou a revolução explícita dos androides como no filme Eu, Robô.

A realidade é muito mais fria, lógica e aterrorizante. A “rebelião das máquinas” não precisa de autoconsciência, ela precisa apenas de automação, eficiência e integração. Nós não estamos construindo nossos carrascos em laboratórios secretos, estamos construindo a infraestrutura do nosso próprio controle absoluto, peça por peça, sob a lógica do mercado e da segurança nacional.

Nós não seremos caçados por uma IA autoconsciente. A verdadeira Skynet opera friamente no Big Data, usando os dados que fornecemos de graça para calibrar os algoritmos que ditarão o nosso controle absoluto.

A distopia moderna começa na escala microscópica e se expande até a órbita terrestre. A fusão entre biologia e tecnologia através da Internet dos Corpos (IoB) transforma o ser humano no nó final de uma rede global. Marcapassos conectados, implantes neurais, biossensores e wearables coletam batimentos cardíacos, níveis de estresse e geolocalização em tempo real.

Essa torrente de dados biológicos e comportamentais trafega pela ultravelocidade e baixíssima latência do 6G, uma rede que não foi desenhada para humanos assistirem a vídeos mais rápidos, mas para permitir a comunicação instantânea entre bilhões de dispositivos e máquinas (Massive Machine-Type Communications).

Na ponta receptora dessa rede não há um operador humano analisando planilhas, mas ecossistemas de Big Data e inteligência artificial como o Palantir com softwares de análise preditiva utilizados por agências de inteligência e pelo complexo militar-industrial. Algoritmos processam instantaneamente quem você é, onde você está, com quem fala e até mesmo o que provavelmente fará a seguir. O rastreamento facial ubíquo em câmeras públicas elimina o conceito de anonimato. Você não é mais um cidadão mas sim um alvo mapeado em tempo real.

Se os algoritmos são o cérebro, os drones são os músculos. E aqui está a maior das tragédias neste cenário: a gamificação da morte com a transição para o combate automatizado. Os conflitos geopolíticos recentes na Ucrânia e no Oriente Médio transformaram a guerra com drones em uma realidade diária e brutal.

O perfil do combatente mudou. O operador de drone moderno atua a quilômetros de distância do front, trancado em uma sala climatizada, olhando para uma tela. O ato de tirar uma vida humana foi reduzido a uma simulação de videogame. Joysticks, gatilhos digitais e interfaces gráficas idênticas às de jogos de simulação removem o peso psicológico imediato do assassinato. O alvo na tela é apenas um pixel pixelado mudando de cor sob a lente térmica com o clique do botão mecanicamente idêntico a pontuar em um jogo virtual.

A assimetria de poder entre o indivíduo e a máquina atingiu o ponto de irreversibilidade. Contra o drone moderno, o ser humano é biologicamente incapaz de se defender. É o fim da autodefesa.

Equipados com sensores de infravermelho, sensores de movimento de alta precisão, radares de penetração de solo e visão computacional, esses dispositivos anulam a noite, a camuflagem e as barreiras físicas. Se você respira, você emite calor. Se o seu coração bate, o sensor detecta. Não há onde se esconder guerreiro!

A ilusão do cidadão armado racha diante da física do combate moderno. De que vale uma mero CAC e seu “arsenal” de carabinas e espingardas quando o oponente sequer possui carne para ser alvejada? Contra um enxame coordenado por inteligência preditiva, equipado com cargas explosivas direcionadas e sensores de rastreamento absoluto, o armamento civil torna-se um fetiche obsoleto. Você não está em uma linha de defesa, você está em uma zona de abate programada. A carne não compete com o silício!

Para piorar o cenário de pesadelo, a indústria armamentista global acelerou a letalidade dessas plataformas. Empresas ao redor do mundo, incluindo gigantes como a brasileira CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) e outras corporações internacionais começaram a homologar e lançar drones projetados nativamente para portar armas de fogo. O ápice dessa escalada são os drones táticos equipados com metralhadoras calibre .50 ou fuzis de assalto. Uma plataforma aérea leve, imune ao recuo graças a sistemas avançados de estabilização algorítmica, capaz de perfurar blindagens e despedaçar corpos humanos à distância de um clique econômico.

A correlação com os filmes futuristas se fecha aqui, mas com uma ironia cruel. No cinema, as máquinas se rebelam contra os seus criadores. Na realidade, as máquinas estão fazendo exatamente aquilo para o qual foram programadas.

No momento em que o Pentágono oficializa o que antes era delírio de ficção científica, a fronteira entre o impossível e o inevitável deixou de existir. Se eles já aceitam o alienígena nos céus, o que te faz pensar que os enxames de drones caçando civis por infravermelho nas ruas amanhã é apenas uma teoria da conspiração? O impensável já virou comunicado oficial parceiro! Se até o cosmos foi desclassificado, a sua privacidade já foi liquidada há muito tempo.

Mais do que uma piada de mau gosto, esta imagem é uma jogada matemática de engajamento. O algoritmo pune a moderação e premia o bizarro. Ele não está necessariamente escondendo um “segredo de Estado” naquela foto específica, mas está expondo uma fragilidade humana real: a nossa incapacidade coletiva de filtrar o que é real do que é simulação. No fim das contas, a imagem serve como um lembrete irônico de que, no mundo gerado por IA e controlado pela Big Data, a verdade se tornou o recurso mais escasso do planeta.

O “Juízo Final” não será desencadeado por um erro de software que gera ódio pelas pessoas, mas pela própria lógica da eficiência algorítmica aplicada ao controle social e militar. Quando os sistemas de defesa, policiamento e gestão de recursos forem delegados inteiramente aos algoritmos de IA, a humanidade será colocada em uma caixa de controle absoluto.

A rebelião das máquinas já aconteceu e ela não usa metal cromado exposto, mas usa contratos corporativos, infraestrutura de rede, otimização de processos e eliminação de redundâncias (onde a maior redundância somos nós). O ser humano, desarmado de dados, despido de privacidade pela internet dos corpos e caçado por enxames de drones autônomos e milimetricamente letais, reduziu-se à condição de espectador de sua própria obsolescência.

Alvo eliminado!

Game over!

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Willian Marinho Dourado Coelho <![CDATA[A BALÍSTICA DO ESTRESSE: POR QUE A PRECISÃO FALHA QUANDO O CORAÇÃO ACELERA?]]> https://infoarmas.com.br/?p=13223 2026-06-01T13:56:57Z 2026-06-01T13:49:44Z Willian Marinho Dourado Coelho; Robson Alves Ribeiro; Valdomiro Garcia Rafael Jr.

Entre o ambiente controlado e a sobrevivência real existe um abismo biológico intransponível. Antes de discutir o mito já superado do ‘stopping power’, é essencial reconhecer todos os componentes da plataforma de disparo. A arma, por mais precisa que seja mecanicamente, é apenas um acessório inerte. O operador é, ao mesmo tempo, o elo mais forte e a peça mais frágil de todo o sistema. Portanto, a falência do atirador é o ponto crítico da balística: onde a ciência supostamente objetiva se transforma em pura loteria.

Por melhor que sejam as intenções, o estande de tiro, físico ou virtual é uma ficção. No confronto real, a taquicardia aniquila a coordenação motora fina e a visão em túnel, a exclusão auditiva se tornam imperativos biológicos. O neocórtex racional cede lugar ao sistema límbico e o disparo de precisão converte-se em espasmo bruto. Este colapso biológico explica por que a taxa de acerto em confrontos reais, globalmente, oscila em pífios 15% a 30%. A eficácia do sistema depende inteiramente da integridade do processamento neural do operador, que atua como o elo de ruptura sob estresse.

É a química do erro!

A precisão é impossível em um sistema intoxicado. Onde o Estado vê um “operador”, os dados revelam uma crise de saúde pública oculta. A segurança pública opera sob uma negação científica estrutural ao exigir precisão cirúrgica de um organismo em colapso fisiológico.

O abuso de álcool, combinado ao uso crônico de ansiolíticos, antidepressivos e psicoestimulantes, substâncias frequentemente utilizadas para compensar turnos extenuantes e privação crônica de sono, provoca desregulação autonômica significativa com oscilações simpático-parassimpáticas. Essa instabilidade gera tremores, eleva a excitabilidade neuromuscular e compromete o controle motor fino, criando as condições fisiológicas para o ‘gatilho ansioso’ e disparos involuntários

Não existe tiro preciso sem estabilidade neurocognitiva e neuromuscular intacta.

As evidências da falência do sistema são claras e contundentes. No Brasil, o suicídio se tornou a principal causa de morte entre policiais, superando os óbitos em confrontos armados, tanto em serviço quanto fora dele. A arma de fogo, projetada para proteger vidas, converte-se frequentemente no instrumento de autodestruição de um profissional cujo cérebro atingiu um estado de exaustão extrema e desregulação psicológica.

Esta inversão não é percepção subjetiva. Trata-se de dado consolidado pela literatura científica e pelos relatórios anuais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Negá-la exige ignorar as evidências disponíveis, e elas são numerosíssimas!  Só não vê quem não quer:

Aspectos de saúde mental investigados em policiais (Sousa, 2022)

Uma análise crítica sobre o suicídio policial (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, 2019)

O Suicídio policial: o que sabemos (Miranda et al., 2016)

Risco de suicídio e transtorno de estresse pós-traumático em policiais (Feitosa et al., 2021)

O sofrimento psíquico de policiais militares (Santos et al., 2019)

Depressão e síndrome de Burnout na vitimização policial (Araújo, 2022)

O impacto do estresse ocupacional e o trabalho como policial (Gomes, 2023)

Fatores de estresse ocupacional entre policiais civis (Coleta et al., 2008)

Nesta esteira, a atual política de controle de armas tem-se fundamentado em narrativas de validação social em detrimento de evidências técnicas e empíricas. A classificação entre armas “proibidas” e “permitidas”, qual “mata mais” e “qual mata menos” ignora completamente as leis da física na balística terminal. A letalidade é uma variável multifatorial (energia, desenho do projétil, distância, precisão, etc.), e não uma categoria jurídica.

A correlação entre a posse civil de armas de fogo e os índices de criminalidade é apresentada como causalidade direta, ignorando as variáveis socioeconômicas e estruturais de um país com os menores índices de escolaridade e profissionalização, com ineficiência no aparato de segurança e de justiça, dominado territorialmente por facções criminosas. A imposição do desarmamento numa nação com os maiores índices de homicídios do mundo cria um contraste de segurança em que o Estado, incapaz de garantir a integridade física do indivíduo (dever constitucional), proíbe o cidadão de exercer sua prerrogativa de autodefesa, formalizando sua condição de “boa vítima”.

A sociedade está em colapso e profundamente doente. A violência se normalizou como regra e sua crueldade só cresce. Estupros coletivos, torturas, mutilações, abusos brutais e assassinatos já não são exceções, mas uma parte inevitável do cotidiano.

A legislação vigente substituiu o rigor científico da balística e da criminologia pela conveniência política. O resultado é um sistema de controle que regula o objeto legal, mas permanece inerte diante da fenomenologia da violência real, fomentada pelo narcisismo que infla o ego de parte dos integrantes do setor armamentista. Reabrem-se debates superados há décadas como uma ferramenta de autoafirmação e de sinalização para sustentar engajamento e atrair seguidores, uma vez que a validação das redes sociais se tornou mais relevante que a precisão dos fatos, transformando o setor em um palco de egocentrismo em vez de uma comunidade de preparo.

E enquanto a comunidade se perde em debates de opinião e superioridade intelectual, o sistema avança com restrições jurídicas que sufocam o acesso legal às armas. O mercado segue capitalizando ao inovar e vender equipamentos como soluções milagrosas, ignorando que a tecnologia não supre a negligência com o treinamento e as limitações biológicas do operador. Buscando superar as limitações humanas, surge a implementação de novas tecnologias. A implementação de ecossistemas high-tech incluindo optromics de precisão (Red Dots), protocolos de treinamento em Realidade Virtual (VR) e sistemas de monitoramento biométrico constitui uma camada superficial de mitigação que falha em endereçar a patologia central: a erosão neurofisiológica do operador.

A sofisticação tática contemporânea ignora uma lei fundamental: hardware externo não compensa software orgânico corrompido. Miras holográficas e simuladores de alta fidelidade refinam apenas o gesto motor. É uma situação de inutilidade da óptica diante do caos endócrino. No conflito real, a disfunção do eixo HPA e a saturação adrenérgica degradam a cognição. O metal e o polímero são incapazes de estabilizar uma amígdala hiperativa ou restaurar um córtex pré-frontal exaurido pelo estresse crônico. O ganho tecnológico é anulado pela falha sistêmica do organismo. Veremos o que virá a seguir com a latência zero e consciência situacional absoluta via 6G.             

Contudo, mitigar a falência desse “software orgânico” não se resume à aquisição de insumos tecnológicos, mas passa pelo fortalecimento do próprio operador através do neurocondicionamento. Na Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), os Estágios de Aperfeiçoamento Profissional e os treinamentos continuados em cenários de alto estresse (treinamento real nos Estandes de Tiro utilizando simulações dinâmicas e tiro real em movimento) buscam emular a saturação adrenérgica para automatizar a resposta motora. À semelhança do aprendizado de habilidades complexas, a repetição deliberada e o treinamento operacional prático transferem a execução do disparo do campo da deliberação cortical exaustiva para vias psicomotoras subconscientes consolidadas. Esse processo de plasticidade neural atua diretamente no limiar de ativação do operador/PM, combatendo a previsível degradação biológica e refinando a precisão do tiro mesmo sob as condições hostis do confronto real.

Paralelamente ao preparo técnico, a resposta à erosão neurofisiológica exige uma salvaguarda institucional e uma postura de corresponsabilidade do próprio indivíduo, que também é vítima do severo ecossistema social. Ciente dessa vulnerabilidade, a corporação tem investido recursos significativos em plataformas de suporte biopsicossocial, a exemplo do *Programa Telavita*, que disponibiliza atendimento especializado em saúde mental de forma gratuita e sigilosa. Todavia, a eficácia dessas redes de apoio e a própria superação do estresse ocupacional dependem umbilicalmente da agência do operador/PM. A busca pela excelência operacional e pela preservação da integridade psíquica demanda um compromisso individual ativo, sustentado na busca pelo aprimoramento intelectual, na higidez física e no fortalecimento espiritual. É na sinergia entre o amparo estrutural da corporação e a busca voluntária do policial por equilíbrio nesses três pilares que o sistema encontra a resiliência necessária para não operar em pane seca.

O mercado de segurança deslocou o foco da sobrevivência real para o consumo estético. O desempenho operacional foi reduzido a um símbolo de status e ego, onde a atualização do inventário mascara a negligência com a saúde mental do operador. A manutenção de índices críticos de vitimização é o resultado direto dessa inversão de prioridades. Instituições tentam solucionar patologias de comportamento e biologia com logística de materiais. O resultado atual é um paradoxo terminal onde o operador nunca esteve tão bem equipado e tão organicamente falido.

A tecnologia é um acessório e o organismo é um sistema crítico.

A desregulação neurobiológica transforma a aplicação da força em erro estatístico. Dentro do contrato social hobbesiano, a dignidade humana é submetida à utilidade funcional em que o operador é o fusível que queima para proteger o sistema, enquanto o indivíduo é reduzido à insignificância de um dado burocrático descartável nesta imensa máquina estatal que mói gente todo santo dia.

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Willian Marinho Dourado Coelho <![CDATA[Entre a crueldade e a vulnerabilidade: a ligação entre maus-tratos a animais e a violência contra crianças]]> https://infoarmas.com.br/?p=13214 2026-03-31T12:59:27Z 2026-03-30T20:27:39Z Durante a realização das necropsias, tenho observado uma mudança no padrão da causa-mortis dos animais. As mortes que outrora eram causadas amiúde pelo envenenamento com o popular “chumbinho”, está perdendo espaço para  outras formas de maus tratos como golpes (incluindo socos, chutes, pauladas, capacetadas), esganamento, afogamento, esfaqueamento e decaptação, por exemplo;  que tenho acompanhado quase que diariamente. Nota-se claramente um crescimento no grau de violência, crueldade e sadismo nestas ações. Há um espírito de desumanização em ação. Uma vontade deliberada de fazer sofrer e destruir. É o Animus laedendi e o Animus necandi em sua essência.

Cranio de gato morto com algum tipo de paulada, provocando fratura no crânio.

Diante do avanço alarmante dos maus-tratos contra animais, já não é possível desviar o olhar de uma realidade paralela e igualmente perturbadora: a escalada da violência, do abuso e da negligência contra seres humanos, sobretudo crianças. O que muitas vezes é analisado como problemas distintos revela, na verdade, uma conexão inquietante e profunda. Não são fenômenos isolados, mas sim manifestações de uma mesma raiz. É o ciclo da crueldade, que se repete, se amplia e se perpetua onde não é interrompido.

Necropsia de cão com 5 costelas fraturadas por maus tratos

Necropsia de cão com 5 costelas fraturadas por maus tratos

A forma como uma sociedade trata seus animais costuma refletir, em muitos aspectos, como ela lida com os mais vulneráveis entre seus próprios membros. Animais domésticos, por exemplo, dependem integralmente dos humanos para alimentação, proteção e cuidado. Da mesma forma, crianças também se encontram em posição de vulnerabilidade, necessitando de adultos responsáveis para garantir seu desenvolvimento seguro e saudável. Quando essa responsabilidade é negligenciada ou transformada em violência, seja contra um animal ou uma criança, estamos diante de um padrão de comportamento que ultrapassa o ato isolado e revela algo mais estrutural.

Diversos estudos na área da psicologia e da criminologia apontam que a violência raramente ocorre de forma isolada. Indivíduos que praticam crueldade contra animais, especialmente de maneira recorrente, podem estar manifestando sinais de dessensibilização à dor alheia ou dificuldades profundas de empatia. Esse mesmo padrão pode se estender para relações humanas, atingindo parceiros, familiares e, de forma especialmente alarmante, crianças. Em muitos casos investigados, ambientes onde há maus-tratos a animais também apresentam histórico de violência doméstica.

Portanto, discutir a relação entre a crueldade contra animais e a violência contra pessoas, especialmente crianças, não é apenas pertinente, mas necessário e urgente. Trata-se de reconhecer que essas formas de violência compartilham raízes comuns e que enfrentá-las exige uma abordagem integrada, que envolva educação, políticas públicas, fiscalização e, acima de tudo, um compromisso coletivo com a dignidade da vida em todas as suas formas.

Reforço que o crescimento dos casos de maus-tratos contra animais não é apenas um dado isolado ou um problema restrito à proteção ambiental. Ele funciona como um sinal de alerta mais amplo, quase como uma rachadura visível em uma estrutura social que já apresenta fragilidades mais profundas. Quando essa violência se expande, frequentemente caminha ao lado de outra realidade igualmente alarmante que é o aumento dos casos de abusos, negligência e das crueldades praticadas contra seres humanos, sobretudo contra crianças.

E isso não é uma mera coincidência. A violência na sociedade contemporânea possui um padrão, método e uma lógica que se repete e se desloca entre alvos diferentes, mas igualmente vulneráveis. Animais e crianças compartilham esta condição essencial: a dependência. São seres que não têm plena capacidade de defesa e que confiam nos adultos para proteção.

Sob a perspectiva da Escola Clássica da Criminologia, esse comportamento seria compreendido como resultado de uma escolha racional do indivíduo. Autores dessa corrente defendem que o agressor age por livre-arbítrio, avaliando, ainda que de forma distorcida, os custos e benefícios de suas ações. Nesse sentido, tanto os maus-tratos a animais quanto a violência contra crianças seriam manifestações de uma decisão consciente de violar normas, o que exige uma resposta firme do sistema penal para inibir e punir tais condutas.

Em contrapartida, a Escola Positiva da Criminologia oferece uma leitura mais complexa e, ao mesmo tempo, mais inquietante. Aqui, o comportamento criminoso não nasce apenas da escolha, mas de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais atávicos. A crueldade contra animais, nesse contexto, pode ser interpretada como um sintoma precoce de desajustes mais profundos, como ausência de empatia inata, histórico de violência vivida ou ambientes familiares desestruturados. Assim, o indivíduo que agride um animal não raramente está inserido em um ciclo de violência que pode se expandir para outras vítimas, incluindo crianças.

Essa conexão entre diferentes formas de violência não apenas reforça a gravidade do problema, mas também evidencia a urgência de uma abordagem integrada. Ignorar a agressão contra animais como algo “menor” é, na prática, fechar os olhos para um possível prenúncio de violências ainda mais devastadoras. Cada ato de crueldade tolerado contribui para a normalização da dor alheia.

Portanto, o crescimento desses casos não pode ser tratado com indiferença. Ele é um alerta urgente, um sinal claro de que algo mais profundo está se rompendo (ou já se rompeu) no tecido social. Reagir apenas depois que a violência acontece é insuficiente e, em certa medida, cúmplice da sua repetição. É preciso ir além da punição, enfrentando as raízes do problema com ações firmes e antecipadas.

Porque, no fim, uma sociedade que não protege os seus mais vulneráveis, sejam eles humanos ou animais, não apenas falha moralmente, mas também constrói um futuro marcado pela negligência, insegurança e continuidade da violência.

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Willian Marinho Dourado Coelho <![CDATA[BASES BIOLÓGICAS E PSICOLÓGICAS DA VINGANÇA]]> https://infoarmas.com.br/?p=13197 2026-01-08T18:35:28Z 2026-01-08T18:35:25Z Introdução

Os noticiários trazem todos os dias numerosos casos de crimes hediondos, cometidos com tamanha barbárie, sadismo e crueldade que geram náusea e revolta no leitor. Esta revolta é um sentimento de clamor por justiça, retaliação e retribuição equivalente, ou seja, VINGANÇA.

…Mulher que foi atropelada e arrastada por mais de 1km tem as duas pernas amputadas. Acusado alega que foi agredido pelos policiais durante a sua prisão …

…Mulher é agredida com mais de 60 socos por seu parceiro…

…Criança autista é agredida por professor …

…Fraude de 6 bilhões no INSS causam prejuízos financeiros e danos emocionais a idosos…

…Motorista estupra menina de 6 anos após oferecer doce de Dia das Crianças…

“O homem é o lobo do homem” (Hobbes)

Esta expressão foi popularizada por Thomas Hobbes em sua obra Leviatã, descrevendo a visão pessimista de que os seres humanos são egoístas e violentos, agindo como predadores uns dos outros. A história da humanidade está permeada por numerosos casos de vingança que formaram, moldaram e conduzem os rumos da civilização como a conhecemos. Objetivamente, a vingança é extremamente comum e está presente nos clássicos literários, poemas, filmes, desenhos, jogos e até mesmo nos conflitos estatais ou não.

 A famosa expressão “Olho por olho, dente por dente” significa uma retribuição exata ou vingança na mesma medida do dano causado, conhecida como Lei de Talião, que visava limitar a vingança desmedida ao impor uma punição proporcional ao crime (Êxodo 21:24, Levítico 24:20). No auge do seu império em 1780 a.C, o rei Hamurabi  criou um conjunto de leis baseado na “Lei de Talião”, que disciplinava o tratamento dos delitos e das penas que consiste na equivalência ou reciprocidade, ou seja, o mal causado a alguém deveria ser proporcional ao castigo imposto.

Exemplos de vingança na literatura e filmes

Alexandre Dumas (obra literária o Conde de Monte Cristo) – vingança daqueles que o destruíram.

Victor Hugo (obra Os Miseráveis) –  a vingança como uma obsessão por justiça.

Emily Brontë (obra O Morro dos Ventos Uivantes) – a vingança obsessiva e destrutiva.

Herman Melville (obra Moby Dick) – o homem contra a natureza numa jornada perigosa de vingança

Homero (obra Ilíada) – grandes batalhas em busca de vingança pela honra e amizade

Willian Shakespeare (obra literária Hamlet) – busca por vingança como retribuição.

Nietzsche – a partir desse sentimento de vingança é que a moral ocidental nasce e cresce, ou seja, a vingança está enraizada em todos os conceitos de justiça dela decorrentes, mesmo que disfarçada.

Maquiavel (obra O Príncipe) – necessidade de destruir completamente um inimigo ou não o atingir de forma alguma

Declarações políticas/estatais recentes de vingança

07/10/2023 – Israel promete vingança contra o Hamas…

25/10/2024 – Irã promete vingança contra Israel…

05/10/2025 – Trump promete retaliar inimigos…

09/07/2024 – EUA prometem vingança contra seus inimigos…

18/12/2024 – Russos prometem vingança após ataque ucraniano…

21/03/2023 – Lula confessa que seu projeto de poder é um projeto de vingança: “eu tô aqui pra me vingar dessa gente”, “só vai estar bem quando eu foder esse Moro”.

Dados os expostos, é fato que a vingança existe e é um sentimento universal, cultural e individual. Muitos estudos envolvendo experimentos psicológicos confirmam que é muito fácil provocar as pessoas a buscar por vingança, evidenciando que há algo profundo dentro da arquitetura do cérebro humano que visa a busca pela oportunidade de punir o agressor.

O norte-americano Jason Vukovich foi vítima de abuso sexual e físico durante toda a sua infância. A lei e a justiça oferecida pelo estado falharam em protegê-lo dos seus abusadores. Quando adulto decidiu se tornar um caçador de pedófilos, ficando conhecido como “Vingador do Alasca” e herói para população local.

Clamor por justiça e apoio nacional:  Jody Plauché  tinha apenas 11 anos quando foi sequestrado e abusado por seu professor; o pai do menino matou o estuprador em frente às câmeras de TV e sua ação foi amplamente apoiada população

O cérebro e a vingança

O Circuito da Raiva é o caminho que liga o mesencéfalo ao hipotálamo e à amígdala. Muitas pesquisas sustentam que o desejo por vingança se inicia no Circuito da Raiva. Ao receber sinais de dor o sistema nervoso responde rapidamente com padrões comportamentais agressivos. A estimulação do Circuito da Raiva promove sentimentos e reações desagradáveis, onde o organismo busca formas para desligá-lo. Caso o estimulo persista, os  outros sistemas cerebrais apoiam a busca por vingança. Este mecanismo de suporte ao Circuito da Raiva é  denominado como “Sistema buscador” formado por uma rede dentro do cérebro que facilita comportamentos de busca por recompensa e prazer constituído pelos sistemas dopaminérgicos mesolímbico e mesocortical.  A vingança parece ativar o sistema de busca e, os indivíduos vingativos esperam que ela seja satisfatória e recompensadora. Portanto, a fisiologia cerebral indica que a busca por recompensas faz parte da motivação em se vingar de alguém.

Interessante é que quando uma pessoa sofre uma injusta agressão ocorre a ativação do sistema de antecipação de recompensas do cérebro e também do córtex pré-frontal esquerdo, sendo este um padrão característico de ativação no planejamento de um objetivo ou do desejo por algo que verdadeiramente se quer alcançar.  A vingança é uma motivação poderosa ligada a atividades cerebrais específicas e ao instinto de sobrevivência em que os centros de recompensa no cérebro são ativados pelo simples fato de  pensar em vingança ou antecipar uma retaliação. Ocorre  uma “inundação” de dopamina causando uma sensação de bem-estar, de satisfação,  fornecendo uma inequívoca base  biológica para o “prazer” da vingança. Portanto,  uma resposta inicial ao dano envolvendo o Circuito da raiva do cérebro desencadeia uma reação agressiva imediata ativando os  sistemas de busca  que sustentam e mantém a motivação para a perseguição do alvo da vingança ao longo do tempo. Nos seres humanos o instinto de vingança é caracterizada como uma emoção complexa que envolve escolha consciente e um conceito de “dever ser” ou “obrigação” moral.

Os circuitos neurais da raiva e do medo envolvem primariamente o sistema límbico, com a amígdala desempenhando um papel central na detecção de ameaças e no desencadeamento de respostas emocionais. A vingança, sendo um comportamento mais complexo, envolve a modulação dessas emoções por regiões corticais superiores, como o córtex pré-frontal. 

CIRCUITO BÁSICO DAS EMOÇÕES

Fonte: Nishida, S.M. Domínio público, 2025.

Circuitos neurais e fisiologia

Medo

O medo é uma resposta protetora essencial para a sobrevivência, que prepara o organismo para a luta ou fuga (ou congelamento). 

A amígdala é considerada o “centro do medo”, e processa estímulos sensoriais determinando se há perigo, ativando as respostas de defesa. Ela recebe informações sensoriais (visuais, auditivas, etc.) rapidamente através de vias subcorticais, permitindo uma reação quase instantânea a potenciais ameaças.

O hipotálamo é ativado pela amígdala, e  desencadeia a resposta fisiológica ao medo, ativando o sistema nervoso autônomo. Isso leva à liberação de adrenalina e cortisol pelas glândulas adrenais.

O córtex pré-frontal envolve-se na avaliação cognitiva do perigo. Em situações de medo aprendido, o córtex interage com a amígdala e o tálamo para formar memórias aversivas e modular a resposta. 

Raiva

A raiva, frequentemente ligada à agressividade, é uma emoção estimulante que pode levar a um comportamento agressivo quando não é regulada. 

Semelhante ao medo, a amígdala e o hipotálamo estão envolvidos na geração da raiva e na agressão. Circuitos subcorticais no hipotálamo e tronco cerebral governam o comportamento agressivo.

O córtex pré-frontal, especialmente a região ventromedial, exerce um papel crucial no controle inibitório da raiva e na regulação emocional. A interação desequilibrada entre a amígdala e o córtex pré-frontal pode resultar em surtos de raiva incontrolável.

Neurotransmissores: A norepinefrina (noradrenalina)a serotonina desempenham papéis na modulação da raiva e agressão. Níveis mais baixos de serotonina têm sido associados a comportamentos impulsivos e agressivos. 

Vingança

A neurobiologia da vingança é mais complexa, pois envolve não apenas a emoção reativa, mas também o planejamento, a antecipação e a satisfação de corrigir uma injustiça percebida. 

A vingança envolve a integração de circuitos de emoção (Amígdala) com regiões de recompensa (Núcleo accumbens), cognição social e tomada de decisão (Córtex pré-frontal, Córtex orbitofrontal).

A expectativa ou a execução de um ato de vingança pode ativar o sistema de recompensa do cérebro, proporcionando uma sensação de alívio ou prazer, o que reforça este comportamento.

O córtex pré-frontal avalia a injustiça, pondera as consequências e planeja a ação de retaliação, tentando restaurar um senso de controle ou justiça. 

Observa-se ainda a ocorrência do “Sequestro neural”, onde a razão é tolhida pela emoção intensa. 

É evidente que a vingança não é uma prerrogativa humana! Em animais, o comportamento é mais frequentemente uma reação impulsiva e imediata, embora, algumas espécies sejam capazes de demonstrar ações de retaliação direcionada e tardia, bem como a manutenção de rancor.   

Leões X Hienas: Clássica batalha da natureza. Muito além do abate por alimento.

Vingança como mecanismo de dissuasão

Em essência, a vingança é um instinto profundamente enraizado com uma clara função evolutiva em espécies sociais, embora sua expressão seja muito mais matizada e moldada culturalmente nas sociedades humanas devido à capacidade de pensamento crítico e complexo nesta espécie (pelo menos in tese). A psicologia evolucionista tem como principal argumento que a vingança é um comportamento adaptativo/evolutivo e que serve como um “sistema de dissuasão”. A vingança no aspecto evolutivo teria beneficiado os humanos ancestrais  a controlar os níveis de  interação social quando ainda  não havia um sistema formal de justiça.  Assim, ao retaliar, um indivíduo está sinalizando a potenciais agressores  que ele  não será explorado impunemente,  desencorajando os algozes, dissuadindo e  evitando a ocorrência de danos futuros.  Este instinto de vingança é visto também como um clamor, um desejo inato de justiça que visa promover uma restauração no senso de ordem após o cometimento de uma transgressão.

Ela está intrinsicamente ligada e enraizada a mecanismos fisiológicos cerebrais e pressões evolutivas que promovem a sobrevivência e organizam a cooperação dos grupos sociais, ficando clara no aprendizado das diferentes culturas as funções e os motivos da retribuição. Isso demonstra que a vingança como forma de  agressão retributiva pode ser aprendida e transmitida culturalmente. Por esta razão é necessário que se faça a distinção entre agressão proativa e reativa (vingança).  No primeiro caso, por exemplo, o fenômeno da Shadenfreude faz alusão ao agente que de forma ativa e gratuita experimenta uma alegria maligna em relação ao sofrimento de outrem, distinguindo-se da vingança (reativa).

A terceirização da vingança ao Leviatã (Hobbes).

Em Leviatã, Hobbes afirma que devido às limitações emocionais e morais humanas o indivíduo precisa renunciar seu estado de natureza primário para viver em sociedade. Esta renúncia individual outorga ao Leviatã (ou seja, o Estado soberano) a concentração do poder para controlar a sociedade, manter a paz, a segurança e a ordem social.  Para Hobbes o estado fracassa quando se mostra incapaz de proteger seus súditos da violência interna e externa. Assim, se a desordem, a guerra civil ou a anarquia retornam, o contrato social é quebrado e os indivíduos voltam ao estado de natureza para se autodefenderem, momento em que o Leviatã perde sua legitimidade e soberania. O Leviatã soberano, todavia, não é onipresente, onisciente ou onipotente e, uma vez que ele (o estado) é formado por homens que, segundo Hobbes são egoístas e motivados a satisfazer seus desejos a qualquer custo, a justiça praticada pelo estado é igualmente injusta e ineficiente para garantir a paz e a ordem pois “o gigante tem pés de barro”.

Esta injustiça está bem descrita na literatura científica. Estudos notáveis e amplamente discutidos sugerem que o estado de saciedade alimentar de um juiz pode influenciar diretamente em suas decisões. Pesquisadores analisaram milhares de julgamentos e concluíram que, após as refeições, os juízes tendiam a ser mais benevolentes e proferir sentenças mais favoráveis aos réus. À medida que o tempo passava desde a última refeição (ou seja, quando sentiam fome), a probabilidade de uma decisão desfavorável aumentava drasticamente, sugerindo que o nível de glicose ou o desconforto físico pode afetar o humor e o rigor na aplicação da lei. É evidente que por serem humanos e falíveis, os administradores do direito também são capazes de se vingar de seus algozes. Por esta razão a suspeição (Art. 145 do CPC e Art. 254 do CPP) gera uma presunção relativa de parcialidade, considerando o juiz suspeito, entre outras hipóteses, quando ele for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes ou de seus advogados.  Esta é uma forma de vingança ainda mais culpável pois ocorre com premeditação. demonstrando frieza e maior desprezo pela lei.

Pelo exposto acima é certo que o sentimento de vingança é uma condição biológica e psicológica inata aos seres humanos, atemporal, universal, cultural e individual, cuja função primordial é a retaliação, dissuasão e a busca por uma justiça não recebida. Este sentimento desencadeia uma ativação dos circuitos neurais do medo e da raiva, de caráter subjetivo e individual  promovendo alterações somática e cognitivas nos indivíduos. Se, portanto, a momentânea fome do juiz o impele a errar em seus julgamentos, maior atenção deve ser direcionada para os policiais que, atuando agudamente nas cenas de crime,  em condições degradantes, insalubres e altamente estressantes estarão ainda mais propensos a se exceder no momento dos confrontos e das prisões, influenciados por perturbações  fisiológicas e psicológicas, especialmente quando a natureza do delito fere a honra, a dignidade ou é praticado com torpeza ou crueldade.

Maioria da população brasileira e carioca apoia a  megaoperação policial contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

A percepção da impunidade pelo Estado é motivação para a vingança

“Ver e crime e não querer puni-lo/Crime é também” (Joaquim Manoel de Macedo, 1979).

            O aumento da criminalidade, da corrupção, do caos social associados ao sentimento de impunidade, de injustiça e até mesmo da conivência do estado com crime é percebido na maioria dos habitantes do Brasil, especialmente quando se trata da audiência de custódia  que, mesmo tendo sido concebida para ser uma inovação no  exercício da justiça criminal, tem ocasionado na prática numerosos casos polêmicos acerca da soltura dos criminosos, gerando comoção social, indignação e desejo por vingança em grande parte da população.

“A gente prende e a audiência de custódia solta”

Criminoso solto em audiência de custódia descumpre medida protetiva e esfaqueia a esposa.

Colombiano preso em flagrante com em 2015 com 749 quilos de maconha foi preso novamente com 1,3 toneladas de maconha e é solto em audiência de custódia 

Pedófilo abusava de uma garota de 14 anos com deficiência intelectual foi solto após audiência de custódia

Finalizando o texto, mas longe de esgotar o assunto, as emoções humanas são extremamente complexas e ainda não totalmente compreendidas pela ciência. Os sentimentos de medo e raiva são processados em circuitos neurais primitivos centrados na amígdala e hipotálamo assim como a vingança, que consiste portanto numa resposta ainda mais elaborada e utiliza estes mesmos circuitos, sendo fortemente modulada por áreas corticais que gerenciam a cognição, o controle de impulsos e a percepção de justiça.

“A impunidade e a irresponsabilidade, a irresponsabilidade e a impunidade, são as causas eternas e infalíveis de tais perturbações da ordem política e da ordem moral”. (Rui Barbosa, 1967).

REFERÊNCIAS

Anderson, C. A., & Bushman, B. J. (2002). Human aggression. Annual Review of Psychology, 53, 27-51

Carlsmith, K. M., Darley, J. M., & Robinson, P. H. (2002). Why do we punish? Deterrence and just deserts as motives for punishment. Journal of Personality and Social Psychology, 83(2), 284.

Chan, H. C. O., Beauregard, E., & Myers, W. C. (2015). Single-victim and serial sexual homicide offenders:Differences in crime, paraphilias and personality traits. Criminal Behaviour and Mental Health, 25, 66-78.

Chester, D. S., & DeWall, C. N. (2018). Personality correlates of revenge-seeking: Multidimensional links to physical aggression, impulsivity, and aggressive pleasure. Aggressive Behavior, 44, 235-245.

Hosie, J., Gilbert, F., Simpson, K., & Daffern, M. (2014). An examination of the relationship between personality and aggression using the general aggression and five factor models. Aggressive Behavior, 40, 189-196.

Jones, S. E., Miller, J. D., & Lynam, D. R. (2011). Personality, antisocial behavior, and aggression: A meta- analytic review. Journal of Criminal Justice, 39, 329-337.

Pinotti, F. 2023. Na cadeia, Lula diz que pensava em “f… o Moro” e “se vingar dessa gente” . https://www.cnnbrasil.com.br/politica/na-cadeia-lula-diz-que-pensava-em-f-o-moro-e-se-vingar-dessa-gente/

Silva, E. S. et al. A duração da raiva e o instituto penal da violenta emoção: Legalidades e realidades. Amazônica. Revista de Psicopedagogia, Psicologia escolar e Educação, 2017.

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Luciano Lara http://www.lucianolara.com.br <![CDATA[“DRONE É BRINQUEDO E FUZIL SE COMBATE ATÉ NA PEDRADA” diz a especialiste]]> https://infoarmas.com.br/?p=13185 2025-11-07T04:44:02Z 2025-11-07T04:43:59Z VALOR DA VIDA, PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA E GUERRA ASSIMÉTRICA II

                                                                       Beabadotiro por Luciano Lara

A história se repete, os erros se somam e a conta segue pesada para a Sociedade Organizada, e agora essa conta veio quatro vezes mais cara.

O Estado-polícia em execução de operação para cumprimento de cerca de 280 Mandados Judiciais foi atacado recentemente e, além de vários membros das forças de segurança baleados, um dos quais ainda em estado grave e que já teve parte da perna amputada, quatro heróis, dois da polícia civil e dois da polícia militar, tombaram em confronto com os insurgentes que ousam desafiar a Sociedade Organizada.

Quatro policiais foram mortos no cumprimento do seu dever, em operação cumprindo 100 mandados de prisões em desfavor de perigosos membros de violenta organização criminosa que domina o Rio de Janeiro e vários outros Estados da Federação, bem como mais de 180 mandados de busca e apreensão expedidos e reunidos para execução da maior operação de enfrentamento ao C.V. da história fluminense.

Da Polícia Civil foram mortos Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, comissário da 53ª DP (Mesquita) e Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, da 39ª DP (Pavuna) este com menos de 2 meses de Polícia e da Polícia Militar foram mortos Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, 3º sargento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos, 3º sargento, também do BOPE.

Tombaram em combate e são heróis que deveriam estar sendo exaltados. Till Vallhala. Porém estão sendo insultados!

Inicialmente cabe destacar que:

No Rio de Janeiro, não é de hoje, se você entrar em uma rua “incorretamente” você corre risco de ser metralhado[1]. Mata-se[2] por ingresso em uma “comunidade” controlada, sem que o condutor do veículo sequer soubesse que aquela via[3] era “indevida”.

Além disso, moradores estão sujeitos a conviver com barricadas[4] controlando o acesso a parte alta dos morros, somente passando motocicletas[5], dirigidas sem capacete, para facilitar a identificação dos circulantes, o que se espalha pela grande rio e baixada.

Pior que isso, os narcoterroristas exploram desde a venda do pãozinho na padaria, ao serviço de transporte em vans e mototáxis bem como entrega de gás, serviço de tv à cabo e internet. Tudo é mercado e potencial de exploração comercial dos bandidos.

Não é novidade que essa realidade, de completa sujeição à criminalidade e perda da soberania por grande parte dessa população da região metropolitana do Rio de Janeiro ocorre, mas a normalidade com que se aceitou o avanço dos Narcoinsurgentes, traficantes ou milicianos, é assustadora.

Como descrito no nosso primeiro artigo em 2021, quanto à Operação no Jacarezinho:

“O vácuo deixado pela ausência do Estado, a geografia, as políticas públicas, tudo somado fizeram com que a população ocupasse os morros cariocas, a sua maioria trabalhadores que não tinham como morar distante das vagas de empregos, nem tinham condição de arcar com custos de transporte e habitacionais outros que não o de formar as favelas: cidadãos de bem que por falta de opção se aglutinaram nos morros.

Pronto. Uma enorme quantidade de pessoas passou a residir em locais de alta densidade populacional + ausência de serviços públicos + dificuldade de acesso das forças de segurança. 

Receita de facilidade para a criminalidade!

Essa bandidagem passou a aproveitar do vácuo do poder público e se instalou – em seguida, vieram os grupos de extermínio para combater essa bandidagem e vendo a rentabilidade da exploração da população local, formaram milícias que ao invés de combater os traficantes para expulsá-los e libertar a população, somaram-se aos que disputam na criminalidade a exploração dessa combalida população.

Faço este introito para dizer: 99,9% daquela população é formada por cidadãos de bem, ordeiros, trabalhadores, cumpridores de seus deveres, MAS que por estarem sujeitos a conviver com criminosos tem que TOLERAR a sua presença e permanência na comunidade mediante EXTORSÃO – sob pena de tortura, expulsão e/ou morte.

E isso ficou evidente no relato televisionado de um morador que disse ter tido a casa invadida por um criminoso e nem sequer poder reclamar – ali entrincheirado foi o bandido encontrado e, no confronto, morto pela polícia – o que o cidadão relata traumatizou sua filha e o fez sair de casa.

Exploração, cooptação de seus filhos meninos para se tornarem soldados do tráfico, das meninas para exploração sexual e subjugo dos donos do morro, tudo quanto a Operação Exceptis (Jacarezinho, maio de 2021) buscava enfrentar, realizada para cumprimento, repito, a Mandados Judiciais de prisão de 21 membros de OrCrim.

Eis que, para surpresa de ZERO pessoas minimamente inteligentes, dada a carta branca concedida para a criminalidade com as restrições de operações policiais durante a Pandemia, houve forte repressão criminosa contra a LEGÍTIMA e NECESSÁRIA ação policial na localidade.

A certeza de conhecimento dessa potencial resistência foi a dimensão do aparato repressivo para, repito, cumprimento de apenas 21 mandados de prisão: 250 policiais, apoio aéreo de helicóptero e ação de 4 blindados os quais foram logo impedidos de subir já que os bandidos instalaram obstáculos na via, as conhecidas e temidas, pela polícia e pelo morador, barricadas.

Em nenhum lugar do mundo, que não esteja vivendo período de guerra declarada, há enfrentamento desse nível de armamento e ação no crime “comum” em zona urbana, muito menos pela polícia.

Quem em sã consciência acredita que as forças de segurança poderiam subir o morro, de mãos vazias com os mandados de prisão embaixo do braço, anunciar as ordens judiciais e aguardar os seguranças, olheiros, os donos do morro entregarem-se pacificamente para a sua efetivação?

Aos mais novos não custa rememorar – o tráfico de drogas torturou, matou e queimou o corpo em micro-ondas (pilhas de pneus embebidos em combustível) o repórter Tim Lopes, de uma emissora nacional, descoberto enquanto fazia matéria jornalística sobre a criminalidade e exploração de menores em bailes funk há (então) 19 (dezenove) anos.

Essa realidade não é nova e é fruto de desmandos e descaso político de três décadas culminando com os últimos cinco governadores do RJ presos e dezenas de parlamentares processados e/ou também presos.

E não se espera outra resposta do Estado senão ENFRENTAR a criminalidade, buscando evitar sua perpetuação e o reconhecimento da TOTAL FALÊNCIA desse Estado – manter-se isolado e intocável reduto de criminosos explorando a população dessas comunidades é vergonhoso e covarde, coisa que as forças de segurança pública JAMAIS serão.

Voltemos a atenção à Operação Contenção dessa semana no complexo de favelas do Alemão e da Penha, visando prender uma centena de criminosos, 62 dos quais oriundos de outros Estados e homiziados no Rio de Janeiro sob o manto da ADPF 635 que, com base nas restrições da pandemia, agravou a situação da segurança pública com restrição absurda das operações e necessidade de comunicação da deflagração à dez órgãos de Estado, fora limitações materiais e operacionais, em especial a de utilização do helicóptero como plataforma de disparos e ganho tático em ambiente conturbado e sinuoso como o das favelas do Rio de Janeiro.

Já postei sobre os anos de difusão da Criminologia Crítica ou Marxismo criminológico decorrente da Escola de Frankfurt e não irei dar mais palanque para especialiste jubilada de Universidade Federal, seja em antropologia seja em estudos sociais, na medida em que exatamente essas idéias absurdas é que levam ao desconhecimento da realidade do crime e da necessidade de enfrentamento e combate efetivo aos criminosos para barrar seu avanço.

O trabalho de inteligência desenvolvido pela cúpula de Segurança Pública do Estado identificou que dos insurgentes abatidos, 59 tinham mandados de prisão pendentes, pelo menos 97 apresentavam históricos criminais relevantes.

As informações do Governo do Estado do Rio de Janeiro também indicam que 17 dos mortos identificados não apresentavam histórico criminal, mas destes 12 apresentaram, por exemplo indícios de participação no tráfico em suas redes sociais.

Segundo o governo carioca, ainda em nota sobre a Operação, no total 62 suspeitos mortos são de outros Estados: 19 do Pará, 12 da Bahia, 9 do Amazonas, 9 de Goiás, 4 do Ceará, 3 do Espírito Santo, 2 da Paraíba, 1 do Maranhão, 1 do Mato Grosso, 1 de São Paulo e 1 do Distrito Federal.

A isso se soma que foram imediatamente presas 113 pessoas, das quais 20 dos 100 mandados de prisão expedidos.

O mais chocante, aliado ao absoluto descaso dos meios de comunicação à morte dos Policiais Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, Rodrigo Velloso Cabral, SgtPM BOPE Cleiton Serafim Gonçalves, SgtPM Heber Carvalho da Fonseca[6], tal qual a morte do guerreiro André Frias no Jacarezinho em 2021, esse sim executado com um tiro na cabeça quando desembarcava do blindado, tocaiado pelo tráfico, é a aparente presunção contra a ação policial, tendo a esmagadora maioria dos noticiantes se indignado pela “chacina de civis” e “execução” (e até degola) de um dos insurgentes.

Pior que a ofensa ao trabalho policial, que menos de presunção de ilegalidade tem sim a presunção de VERACIDADE e LEGALIDADE, é a antecipação de juízo contrário à polícia e favorável aos narcoterroristas abatidos.

A deturpação de valores é tamanha no Brasil que a presunção do governo federal, da imprensa marrom e das ONGs é contrária à polícia, braço armado da segurança do Estado, a ponta de lança no enfrentamento à criminalidade, última barreira contra a barbárie e o caos.

Não devia ser assim e não precisa ser assim.

Agem os Policiais em estrito cumprimento do dever legal[7] e para sua não configuração deve ocorrer somente cabal demonstração em contrário (art. 386, inciso VI, última parte, CPP), vale dizer, deve ficar comprovado, extreme de dúvida, que os policiais agiram fora de suas obrigações de garantia da ordem pública e de preservação da paz social.

Uma Operação com um ano de investigação, dois meses de preparação e autorização de 280 mandados judiciais, com efetivo de 2500 policiais (sendo duas PFem) demanda emprego de inteligência absurda e gigantesca, contrainteligência, coordenação e intercomunicação entre as instituições.

Quem corre dizer que operações de inteligência não gerariam baixas ou casualidades tem conhecimento ZERO sobre efetiva atuação especial de unidades policiais em emprego real de confronto.

Primeiro porque inteligência militar/policial, grosso modo, se trata de coleta e trato de informações sensíveis para tomada de decisão por quem de direito.

Nada mais é do que informação, e não se realiza uma operação contra 1 alvo ou contra 100 alvos sem que haja informação para identificação do alvo, identificação da localização do alvo, estabelecimento de certeza mínima e fundada das informações coletadas, conferência das informações e acompanhamento do alvo, estabelecimento de estrutura e condição material de operacionalização da operação, bem como cuidados para não vazamento e eficiência dos meios empregados para cumprimentos dos mandados expedidos em sua integralidade e condições para que o resultado alcançado tenha efetividade na continuidade das apurações e/ou no(s) processo(s) que poderá desencadear.

Isso tudo adicionado a integralidade e segurança dos envolvidos, direta e indiretamente.

É, repito, absurda a quantidade de informação, vale dizer, de inteligência envolvida em qualquer operação minimamente efetivável, que se o diga numa das maiores operações, senão a maior, já desencadeadas contra o CV no país.

De imediato, e sem qualquer paralelo, comparou a imprensa e os “especialixtes” que operação recente da Polícia paulista contra o PCC que atacou em especial alvos financeiros na Faria Lima é que sim seria operação de “inteligência” e que não foi necessário nenhum disparo na sua execução.

Nada mais absurdo e ridiculamente comparado.

Todos os alvos de cumprimento de mandado são sensíveis, uns mais outros menos, e a incursão, invasão e efetivação da limpeza do alvo de busca ou prisão do alvo dessa natureza em caso de situação de flagrância, demandam cuidado e emprego das armas pela polícia, na medida em que o investigado reaja a ação estatal e deva ser combatido/confrontado.

Não se realiza operação policial para matar insurgentes – se operacionaliza com meios e estrutura superior de arma e forças, numericamente bastante para, em havendo resistência ao cumprimento dos mandados, essa força seja empregada por quem de direito, e quem detém o monopólio do emprego legal da força é o Estado, garantindo que não seja atingido nenhum policial, civil inocente (bystander) ou ainda que seja incapacitado o agressor/insurgente dentro das regras de engajamento (do inglês Rule of Engagment, R.O.E).

Por incapacitação, como conceitua o F.B.I, deve ser entendida a impossibilidade física ou mental de uma pessoa oferecer qualquer risco de matar ou ferir outra pessoa, e para que essa seja alcançada deve o membro da força de segurança, no emprego da força, letal ou menos letal, garantir que a incapacitação ocorra sem risco próprio, para os companheiros de equipe e para terceiros civis, moradores ou pessoas do entorno da operação.

A absurda alegação de “chacina” no caso de avanço sobre território dominado e fortemente protegido pelo tráfico e classificação das casualidades como sendo execuções ou vitimização policial são equívocos retumbantes de narradores do caos contrários ao enfrentamento à criminalidade.

O termo vitimização policial é um eufemismo para não demonstrar os policiais vítimas de crimes, mas para tornar mais aceitável a informação de que os criminosos ou insurgentes incapacitados foram vítimas dos policiais.

A um só tempo engana e atrapalha o entendimento do que é o que, já antecipando o julgamento de que morreram vítimas da ação policial e eu não aceito o termo.

Se foi incapacitado em confronto ou neutralizado por disparo de precisão por estar em via pública armado e/ou enfrentando a polícia não foi nem é vítima de nada.

Não há qualquer protocolo, métrica ou parâmetro para a atuação policial que supere ou modifique a condição criada pelo investigado/abordado/alvo de sua própria opção de abordagem.

Quem se entrega é preso, quem não resiste não precisa de força para ser contido, quem não saca arma, quem não aponta arma e quem não atira não recebe fogo de retorno.

Simples assim.

Prova empírica dessa afirmação, e realidade diária da atuação policial, é que na Operação Contenção 113 pessoas foram presas, e fosse chacina ou barbárie não faria sentido se trazer presos ou arriscar-se a movimentação da tropa assegurando a integridade física dos presos morro abaixo.

De igual forma todos os dias em todos os rincões do Brasil policiais prendem criminosos e suspeitos e os encaminham para as averiguações e providências legais e raríssimos são os casos de enfrentamento, emprego da arma de fogo senão para demonstração de superioridade de força/armas e subjugo dos envolvidos.

O que deveria chamar a atenção não é jamais o fato de a polícia ter que matar para não morrer na execução e cumprimento de mandados judiciais de prisão.

Agora, o que jamais pode ser aceito ou normalizado é que um insurgente armado de fuzil, empunhando-o ou transportando-o em via pública, seja entendido como cidadão de bem, inocente ou ainda, no imponderável, que com ele se venha a negociar ou conversar o Estado-polícia.

Insurgente com arma em punho tem que ser incapacitado imediatamente – estudos do laboratório de Balística do F.B.I, o maior e mais completo do Mundo, dão conta de que qualquer pessoa com arma empunhada, atira para qualquer direção em 0,56 segundos! Em meio segundo um disparo é realizado.

Narcoterrorista fazendo segurança do território controlado e dos chefes reunidos conforme muito bem apurado pela inteligência coletada pela Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, comprovadamente mostrados por imagens de drones,

O que deveria ser manchete é o se ter buscado impedir a ação policial com o enfrentamento com técnicas de guerrilha, com controle de território e emprego de barricadas, drones com bombas, atiradores com roupas ghillie, centenas de narco terroristas enfrentando à bala os policiais.

O que deveria chamar a atenção é, menos do que o número de mortos no confronto, a quantidade, a variedade e a espécie de armamento e munição encontrada em poder dos criminosos: 128 armas das quais 99 fuzis, granadas, além de cerca de duas toneladas de drogas.

O que deveria chamar a atenção de organismos internacionais, ONGs e seja lá quem mais adore fazer apologia ao crime e odes à bandidolatria é saber como pode um enfrentamento de guerrilha urbana ocorrer nessa comunidade e pode ocorrer em situações semelhantes em qualquer outra comunidade da mais linda cidade do Brasil: das mais de 1400 comunidades da capital fluminense a sua grande maioria é dominada por alguma facção criminosa ou milícia, ou ambas.

Mas o que se destaca, infelizmente, é a presunção contra a polícia e a crítica quanto à atuação do Estado Democrático de Direito, dentro de suas funções de efetivação de Segurança e Justiça, na tentativa de fazer valer uma ordem judicial de prisão de 100 criminosos e buscar-se apreensão em 180 alvos.

Desastre, efetivamente e por outro lado, é que uma parcela da população, ainda que pequena mas ruidosa e manipuladora, tente atribuir como criminosa a ação policial, fazendo-o já dando ênfase aos seus interesses políticos, sendo filmado populares e bandidos empilhando os corpos dos terroristas encontrados na mata após a operação e retirando-lhes as vestimentas táticas e coletes balísticos, sendo claro ainda que sequer se comprovar que, de todos os corpos “recuperados” e enfileirados para imagem de simpatia e horror, o foram de neutralizados pela Polícia e em que condições foram “encontrados” na mata.

Houve evidente e flagrante alteração de cena de crime e fraude processual praticada, filmada, escancarada e usada como propaganda política.

Tiro pela culatra, sem perdão do chavão.

Toda operação passa por um debriefing e toda ação que envolve emprego e uso de arma de fogo passa por uma investigação – não seria diferente nesse caso e o só fato de quatro policiais terem tombado heroicamente no exercício de sua missão já bastaria para que uma apuração se seguisse e que se buscasse evitar que tais perdas voltem a ocorrer em novas operações.

Menos que modo antigo de enfrentamento ao crime, como um milionário apresentador fanfarrão quis criticar, ação necessária e de demonstração de força do Estado-polícia e fundamental ao cumprimento das ordens do Estado-judiciário fossem efetivadas a contento.

A só aprovação popular massiva seria bastante para mostrar que ainda que tendo o custo de vidas inocentes, como as dos bravos heróis que tombaram no desenvolvimento da Operação, tais ações se fazem necessárias e devem ser feitas até que não haja mais quem se disponha a enfrentar o Estado organizado e tentem criar outras formas de controle.

Agora, o que mais enoja é se entoar cânticos e se buscar poetizar a vida dos marginais tombados combatendo o Estado-polícia, na sempre presente romantização da vida do bandido que desde muito vem ocorrendo no Estado do Rio de Janeiro e em outros pontos do país.

Pior quando realizadas por comitiva do Governo Federal e em evidente contraponto aos interesses da população afetada pelas ações do narcoterrorismo.

Pesquisa apontou que entre os moradores da comunidade mais de 80% aprovaram a operação realizada – quem vive o dia a dia do domínio territorial e sofre a exploração dos serviços é que deveria ter voz na questão.

Como

Mas são calados pelo terror e imposição da lei de silêncio do crime bem como são expostos ao ridículo de o Governo Federal indicar que quem deve ser tutelado e protegido é quem foi alvo da operação e não quem foi salvo por ela.

Se preocupou o Governo Federal com o choro das mães dos marginais incapacitados, mas não derramou uma lágrima pelas vidas, liberdade, paz e sossego temporário alcançado pela Operação e entregue aos sofridos moradores da área controlada.

Bandido que não quer morrer só precisa não resistir efetuando disparo de fuzil contra a ação policial, ou usando granadas, armadilhas e técnicas de guerrilha.

Cidadão que não quer ser preso basta respeitar a lei e não delinquir, como fazem 99,99% da população brasileira.

Liberal que não quer ação policial em morro basta parar de pensar com o nariz e falar pela brisa do fino, deixando assim de fomentar o tráfico de drogas, eis que muito ajuda quem não atrapalha.

E quem não sabe para que lado do cano sai o disparo mesmo o olhando de frente, quem nunca esteve em uma troca de tiros, quem nunca participou de uma reunião de briefing de uma operação contra organização criminosa em qualquer nível, que pare de pagar de especialista em segurança pública e deixe para quem arrisca a vida para enfrentar a criminalidade, fazer o papel de lutar pela efetivação dos direitos da população daquelas comunidades, que não quer ter seus filhos aliciados, nem cooptados pelo crime organizado.

Registro minha sincera condolência às famílias dos Policiais Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, Rodrigo Velloso Cabral, SgtPM BOPE Cleiton Serafim Gonçalves, SgtPM Heber Carvalho da Fonseca, seus colegas de delegacia, batalhão e amigos.

E para finalizar, em nenhum momento do texto se mitigou o princípio constitucional da presunção de inocência – é que quem sai às ruas portando fuzil, de colete balístico e atirando na polícia, nem por regra de tratamento inocente é.

Só não dá para aguentar calado novamente a relativização da vida de policiais que apenas cumpriam o seu dever e nem as horas dedicadas a se louvar a vida de bandidos que se dispõem a dominar uma população e guerrear pela manutenção do poder do crime organizado.

Treinem, sempre e muito, e estudem bastante e não se calem ante a propaganda pró-bandido, dispara o like e até a próxima.


[1] In https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/turista-tem-carro-baleado-no-rj-ao-entrar-por-engano-no-complexo-de-israel/

[2] https://www.metropoles.com/brasil/motorista-de-app-e-morto-ao-entrar-por-engano-em-comunidade-no-rio

[3] https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/01/17/ao-menos-9-pessoas-foram-baleadas-ou-agredidas-em-2024-ao-entrar-por-engano-na-cidade-alta-no-rio-onde-video-mostra-motorista-ameacado.ghtml

[4] https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/flipar/2025/07/7198742-barricadas-se-espalham-como-praga-e-viram-ameaca-cronica-na-seguranca-do-rio-de-janeiro.html

[5] https://sepm.rj.gov.br/2017/08/operacao-passe-livre-ja-retirou-barricadas-de-mais-de-100-ruas-de-sao-goncalo/

[6] Insisto em nominar cada um dos guerreiros tombados em combate contra o narcoterrorismo para que não sejam mera estatística e em memória e honra de suas famílias, já que a imprensa tradicional sequer os menciona ou quando levanta o número de baixas policiais o faz exultando a discrepância entre as incapacitações dos insurgentes ressaltando a disparidade como justificante do enquadramento como chacina ou barbárie

[7] Evoluímos nosso entendimento quanto à excludente de antijuridicidade, conforme publicado no Livro Legítima Defesa Armada, Capítulo 11, Estrito Cumprimento do Dever Legal e sua diferenciação da Legítima Defesa Armada, agindo as forças de segurança por mandamento constitucional de dever de proteção e obrigação de agir sob pena de responsabilidade, artigos 144 da Carta Maior e 302 do Código de Processo Penal, e não por mera opção como o é a LDA.

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Jorge H. Ohf https://infoarmas.com.br <![CDATA[Maior evento de segurança pública e atividade policial da América Latina reúne autoridades em São Paulo a partir desta quinta-feira (23)]]> https://infoarmas.com.br/?p=13179 2025-10-21T12:23:11Z 2025-10-21T12:23:07Z Com a missão de integrar a sociedade civil às forças de segurança, política e justiça do Brasil, o COP Internacional – Congresso de Operações Policiais prevê em sua programação uma grade intensa de palestras e debates sobre a segurança pública e a defesa. O evento, que tem como tema “Inteligência Artificial e Drones Policiais”, sediará o Fórum de Segurança Pública Pelo Brasil, encontro realizado pelo Partido Progressista e a Fundação Francisco Dornelles, reunindo autoridades e especialistas de diferentes correntes políticas para debater soluções para o problema da segurança no Brasil.

Estão confirmadas as presenças dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de Roraima, Antônio Denarium, do Acre, Gladson Cameli e do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel. O secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite realiza a palestra de abertura do evento, que abordará as estratégias de gestão e governança em segurança pública no combate ao crime organizado, prevista para acontecer às 14h30.

As palestras e painéis o longo dos três dias do evento, trazem como tema “Mulheres na Segurança Pública”, “Enfrentamento sistêmico do crime organizado”, “⁠Aquisição de produtos controlados por órgãos da segurança pública”, “O Impacto nos Estados correlacionados com a realidade e desafios nas fronteiras e divisas do Brasil no combate ao crime organizado”, “A inteligência e as operações no combate ao crime”, “⁠O papel da negociação como alternativa tática do gerenciamento de crise” , “Economia do crime organizado e desmantelamento das facções criminosas”, “Interoperabilidade entre as forças de segurança no combate ao crime organizado”, “Ações municipais integradas com as forças de segurança”, “Fundo Nacional de Segurança Pública com presidente dos Conselhos”, “Atual cenário da segurança pública no Brasil e soluções para o futuro”. A programação completa pode ser conferida no site https://cop.international/

Coletivas de imprensa

Na sequência, uma coletiva de imprensa com o tema “Desafios da segurança pública em São Paulo e no Brasil” reunirá o secretário e Covatti Filho, Deputado Federal do PP-RS e Presidente da Fundação Francisco Dornelles.

No dia 25, uma nova coletiva de imprensa, dessa vez com o tema “Balanço das iniciativas legislativas do eveto e anúncio da nova marca e fase dos progressistas” reunirá novamente o Secretário de Segurança de São Paulo Guilherme Derrite, o Deputado Federal pelo Rio grande do Sul Covatti Filho e o Senador Ciro Nogueira – Presidente Nacional do Partido Progressistas.

Inovações e tecnologias para o setor de segurança

A 5ª edição do principal evento latino-americano sobre segurança pública e atividade policial com a missão de integrar a sociedade civil às forças de segurança, política e justiça do Brasil. O evento reunirá em sua feira de negócios mais de 80 expositores, nacionais e internacionais, entre eles: Helibras, Springfield Armory, Black Spirit, Condor, Invictus, Axon, Protecop, Benelli, Glock, Flash Engenharia, Hyterra, Tait Communications, Protecta, Berkana, Gespi, Gunvex, M&KLogistic, Miguel Caballero, Nassau, MKU, Orbital Engenharia, Recarga Club, Smart Power, Atech, IWI, Grupo Inbra e outros.

Entre as tecnologias a serem apresentadas estão viaturas inteligentes, tecnologias não-letais, drones, sistemas de análises geoespaciais preditivas, sistemas de vigilância e cibersegurança, câmeras corporais e sistemas de gestão e evidências, sistemas de sinalização audiovisual customizados, equipamentos para testes de sistemas aviônicos e radiocomunicações,  sistemas de videomonitoramento urbano, soluções para áreas de investigação e inteligência e tecnologias para busca, combate a fraudes e crimes cibernéticos.

Encontro de delegações e orgãos de segurança pública

O evento também será o ponto de encontro de mais de 15 delegações que realizarão reuniões estratégicas, entre elas a Câmara Técnica de Inteligência de Segurança Pública (CTI-SSP); Câmara Técnica de Inteligência das Polícias Militares (CTIPM / CNCG); Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN); Comissão de Prospecção e Materiais Operacionais e Coordenação-Geral de Planejamento e Modernização da Polícia Federal.

Também serão realizados encontros de órgãos como a Rede Interfederativa do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP); Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (CONSESP); Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Polícias Militares (CNCG); Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil (CONCPC); Conselho Nacional das Guardas Municipais (CNCGM); Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária (CONSEJ); Comitê Nacional dos Coordenadores de Operações Policiais Especiais (CNCOPE).

Expectativa de público e negócios

A organização espera bater o recorde da última edição em que mais de 12 mil pessoas participaram nos três dias do evento e prevê superar a marca da última edição de R$100 milhões em negócios efetivados.

O COP Internacional é acessível ao público maior de 18 anos. As inscrições estão disponíveis pelo site e são gratuitas para membros da segurança pública. O evento é patrocinado por empresas que são referência do setor de segurança e defesa, como Helibras, Springfield Armory, Condor e Black Spirit.

Serviço:

Congresso de Operações Policiais – COP Internacional 2025

Data: de 23 a 25 de outubro de 2025

Local: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP

Horários:

23/10: das 13 às 20h

23/10: das 10 às 20h

24/10: das 10h às 18h

Informações e inscrições: https://cop.international

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