Você pode chamar de baixa luminosidade, baixa visibilidade, tiro noturno, tiro com lanterna e low light.
Os nomes variam, mas a essência é a mesma. O típico treino padrão consiste em aguardar o anoitecer e alinhar os atiradores diante dos alvos. Daí eles sacam as armas e as lanternas e disparam nos alvos iluminados por elas.
Isso serve para experimentar técnicas diferentes e os equipamentos, o que é necessário. Entretanto, como o instrutor pode ser capaz de corrigir uma postura ou um comportamento ruim se ele também não pode enxergar bem durante a aula? Isso significa que treinos de técnicas com lanternas devem ocorrer durante o período do dia, pois assim, tanto o aluno quanto o instrutor serão capazes de avaliar o que estão fazendo. O passo seguinte é, então, treinar num ambiente com iluminação deficiente.
O que chama minha atenção é a ideia de que para o tiro (ou não) com lanterna (acoplada ou livre), o ambiente precisa estar totalmente escuro, preferencialmente sem a luz refletida na lua e/ou o reflexo da iluminação urbana numa noite de muitas nuvens. A escuridão absoluta até pode ocorrer se você estiver dentro de casa (quando todos estão dormindo), numa rodovia ou área rural.
Mas áreas totalmente escuras (ausentes de luz) são difíceis de encontrar nas áreas urbanas, onde a maioria dos crimes ocorre e a atividade policial é mais intensa. Mesmo as garagens subterrâneas de muitos prédios apresentam algum nível de iluminação artificial durante o dia e a noite.
Agora pense comigo: o ladrão também precisa enxergar. E como ele não usa uma lanterna, é pouco provável que você seja atacado na escuridão total. Assim, é possível dizer que se algo ocorrer, será em um lugar (ou condição) onde há algum nível de iluminação (natural ou artificial).
Daí é correto afirmar que você e o agressor estarão em ambientes com iluminação inconsistente, o que abrange setores bem iluminados ou com pouca luz, sombras e áreas escuras de fato.
Dica de treino
Portanto, treinos de tiro com lanterna devem considerar essa realidade e permitir o trabalho em ambientes mal iluminados. Acenda os faróis de alguns carros (em direções variadas) e mantenha algumas lâmpadas ligadas, caso o estande de tiro possua holofotes ou postes de iluminação. Aprenda as técnicas e as aplique durante o dia e, depois, revise a aplique novamente numa condição de iluminação ruim, mas não totalmente escura.
Permita que o aluno identifique alvos “atiráveis” e “não atiráveis”, principalmente em treinos de defesa em casa, pois numa simulação como essa, o colega não pode sair atirando só porque iluminou um alvo qualquer (existem pessoas inocentes em casa).
Ensine várias técnicas com lanternas, pois o atirador precisa variar a empunhadura para realizar buscas, identificar possíveis alvos e esconderijos, se movimentar no ambiente, contornar objetos, etc.
Permita que ele dispare de um local bem iluminado em direção a um alvo em local com iluminação ruim e vice-versa.
Tenha como perspectiva uma cidade no período da noite, o estacionamento de um shopping, a rua onde você mora, o comércio onde faz suas compras. Avalie as alterações de iluminação que esses lugares possuem. Pense nisso e esqueça um pouco a ideia de uma caverna.
Finalmente, me atrevo a dizer que existe muita ênfase no uso da lanterna (acoplada ou livre) durante o uso da arma, seja na etapa de buscas e na fase do tiro propriamente dito. Só que isso elimina a possibilidade de o policial treinar o manejo, o saque da arma e o tiro, contando apenas com a iluminação ambiente disponível.
Portanto, um treinamento completo de tiro noturno deve abranger o uso lanterna em conjunto com a arma e o uso da arma sob a perspectiva dos cenários mais relevantes (vias públicas, bares, restaurantes, postos de combustíveis, etc.) sem o amparo da lanterna.